EFEPorto Alegre

Eficiente nos contra-ataques, o Japão fez jogo duro contra o favorito Uruguai, que pressionou o jogo todo e arrancou um empate de 2 a 2 no Arena do Grêmio, em Porto Alegre, em partida também marcada por um pênalti polêmico marcado com o auxílio do árbitro de vídeo e pelo grande público no estádio.

O destaque do jogo foi Koji Miyoshi, que infernizou a zaga uruguaia e marcou os dois gols japoneses. O meia de 22 anos abriu o placar em bela jogada individual aos 24 do primeiro tempo e marcou o segundo aos 13 da etapa final, ao aproveitar rebote em saída errada do goleiro Fernando Muslera.

Também teve grande atuação a dupla de ataque formada por Edinson Cavani e Luís Suárez, marcou o primeiro gol de empate uruguaio em jogada polêmica. Aos 30 do primeiro tempo, o zagueiro Naomichi Ueda levantou o pé para tentar proteger a bola e Cavani acabou chutando a sola da chuteira do japonês.

O lance seguiu, mas o árbitro colombiano Andrés Rojas reviu a jogada no VAR e marcou o pênalti, que Suárez não desperdiçou. O segundo empate veio aos 20 da segunda etapa, após escanteio cobrado pelo meia Nicolás Lodeiro, ex-Botafogo, que o zagueiro José Giménez desviou no cantinho do goleiro Eiji Kawashima.

Após a partida, Miyoshi e Suárez se igualaram a Philippe Coutinho, ao colombiano Duván Zapata e ao chileno Eduardo Vargas na artilharia da competição, com dois gols cada.

Com 39.733 espectadores presentes (33.492 pagantes e renda de R$ 6.613.630), o público presente na partida entre Uruguai e Japão é o maior da Copa América até agora, sem contar os jogos do Brasil.

Com o resultado desta quinta-feira, o Uruguai passa a ocupar momentaneamente a liderança isolada do grupo C, com quatro pontos, seguido pelo Chile, com um a menos. O Japão, que conquistou o primeiro ponto no torneio, é o terceiro colocado, enquanto o Equador aparece na lanterna, ainda sem pontuar.

A segunda rodada do grupo será concluída nesta sexta-feira, quando as seleções de Equador e Chile se enfrentarão na Arena Fonte Nova, em Salvador.

Goleado por 4 a 0 pelo Chile na estreia, o Japão foi a campo com uma formação diferente desta vez. O técnico Hajime Moriyasu trocou o esquema 3-5-2 pelo 4-4-2 e escalou um time com seis mudanças, incluindo as entradas de jogadores experientes como o goleiro Eiji Kawashima, de 36 anos, e o atacante Shinji Okazaki, de 33.

Já o Uruguai repetiu praticamente o mesmo time que goleou o Equador na primeira rodada, também por 4 a 0. A única mudança foi a entrada do volante Lucas Torreira na vaga de Matías Vecino, que sofreu uma lesão na coxa direita e está fora da Copa América.

Outra possível preocupação para a 'Celeste' é a lesão do lateral-esquerdo Diego Laxalt, que sentiu a coxa direita após ser driblado por Miyoshi no primeiro gol do Japão e acabou sendo substituído por Giovanni González logo em seguida.

A partida quase começou com uma pintura de Suárez. De muito longe, o atacante viu Kawashima adiantado e arriscou, mas a bola passou por pouco do travessão. A resposta japonesa veio na sequência, com finalização de Okazaki que passou rente à trave após completar cruzamento rasteiro de Miyoshi.

Em outra grande chance uruguaia, aos 12 minutos, Cavani fez cruzamento perfeito para 'Luisito', que cabeceou firme, mas no meio do gol, facilitando a defesa de Kawashima. Desta vez, o Japão não perdoou.

Aos 24, Shibasaki fez lindo lançamento do campo de defesa e a bola chegou em Myoshi. O meia avançou pelo lado direito, invadiu a área, ganhou de Laxalt na corrida e bateu forte entre Muslera e a trave para abrir o placar em bela jogada individual.

O empate veio aos 30, em pênalti marcada com o auxílio do VAR. Em disputa na área, Naomichi Ueda levantou o pé para proteger a bola e Cavani acabou chutando a sola da chuteira do japonês. O árbitro colombiano Andrés Rojas mandou o lance seguir e Kawashima mandou a bola para a lateral porque o uruguaio estava no chão.

Ao rever a jogada no vídeo, o árbitro marcou a penalidade máxima e amarelou o zagueiro. Na cobrança, Suárez bateu no canto direito e o goleiro pulou para o lado oposto. A virada quase veio antes do intervalo, mas o Japão foi salvo pelo travessão em bomba disparada por Cavani de fora da área.

Outra polêmica abriu a segunda etapa. Em jogada individual, Nakajma girou para cima de González, foi ao chão após trombar com o lateral-direito e pediu pênalti. O árbitro conversou com a equipe do VAR, mas mandou o jogo continuar sem rever o lance.

Jogando de igual para igual, o Japão voltou a ficar à frente no placar aos 13 minutos, novamente com Miyoshi. Após cruzamento da esquerda, Muslera falhou no corte e deixou a bola nos pés do meia, que apareceu em frente ao gol e apenas empurrou para dentro.

A partir daí, o técnico Óscar Tabárez tirou o volante Nahitan Nández e colocou Giorgian De Arrascaeta, meia do Flamengo, para aumentar a pressão uruguaia.

Deu certo a proposta de Tabárez. Com mais volume de jogo, o Uruguai passou a ditar o ritmo da partida e chegou ao empate na bola parada. Aos 20, Lodeiro cobrou escanteio e Giménez desviou de cabeça, deixando tudo igual mais uma vez.

A pressão uruguaia continuou até o fim, mas o Japão conseguiu resistir com solidez ofensiva e boas defesas de Kawashima, mas também beneficiado pela falta de pontaria do ataque celeste.

Ficha técnica:.

Uruguai: Muslera; Cáceres, Giménez, Godín e Laxalt (González); Torreira, Bentancur, Nández (Arrascaeta) e Lodeiro (Valverde); Suárez e Cavani. Técnico: Óscar Tabárez.

Japão: Kawashima; Iwata (Tatsuta), Itakura, Naomichi Ueda e Tomiyasu; Sugioka, Shibasaki, Abe (Ayase Ueda) e Miyoshi (Kubo); Nakajima e Okazaki. Técnico: Hajime Moriyasu.

Árbitro: Andrés Rojas (Colômbia), auxiliado pelos compatriotas Alexander Guzmán e Wilmar Navarro.

Gols: Myoshi (2) (Japão); Suárez e Giménez (Uruguai).

Cartões amarelos: Naomichi Ueda e Nakajima (Japão).

Estádio: Arena do Grêmio, em Porto Alegre.