O líder da oposição venezuelana Leopoldo López disse nesta segunda-feira que o julgamento por lavagem de dinheiro que o empresário colombiano Alex Saab enfrentará nos Estados Unidos revelará os níveis de corrupção do presidente Nicolás Maduro e também de países como a Rússia e o Irã, que ajudaram a manter o regime venezuelano.

Em entrevista à Agência Efe em Miami, López classificou como zombaria o fato de o governo da Venezuela ter proposto Saab (que esgotou todos os recursos legais para evitar ser extraditado por Cabo Verde) para as conversas com a oposição que acontecem no México.

"É um escárnio em relação ao processo, mas retrata Maduro pelo que ele é, o chefe de uma estrutura criminosa, e (Saab como) seu "braço direito", disse López, um dos ativistas convidados para o Fórum da Liberdade de Oslo, que está sendo realizado pela primeira vez em Miami.

Ele destacou que o julgamento de Saab ajudará a esclarecer "a relação de Maduro com grupos criminosos, traficantes de drogas, terroristas no mundo e revelará de forma muito clara o nível de corrupção".

López, que está exilado na Espanha desde outubro de 2020, disse que o caso Saab também revelará a atuação de "outras potências muito poderosas, particularmente a Rússia em relação ao tráfico de drogas e também às relações que ela tinha com o Irã".

Ele disse que a ideia de incluir Saab às negociações com a oposição também é uma estratégia para posicioná-lo "como um prisioneiro político venezuelano, quando ele é um cidadão de nacionalidade colombiana que é um criminoso".

Para López, a forma como Saab está sendo defendido destaca a "importância" das informações que ele possui como intermediário para negócios obscuros de Maduro dentro e fora do país.

O líder opositor ressaltou que Saab pode dar uma radiografia das atividades ilícitas atuais do governo, enquanto o ex-chefe da inteligência venezuelana Hugo Carvajal, que também é alvo de um pedido de extradição por parte dos Estados Unidos, pode dar informações de anos atrás.

GUAIDÓ NÃO É O PROBLEMA.

Sobre a decepção causada pelo fracasso de Juan Guaidó em se consolidar como principal líder político do país, López apontou que o problema não é ele, "mas a ditadura e o apoio permanente e articulado" que Maduro recebe de Rússia, China, Turquia, Irã e Cuba.

"É um erro dizer que o problema é Guaidó, o problema é a ditadura", insistiu.

Ele destacou que não se pode comparar o apoio de 60 países a Guaidó, que é praticamente diplomático, com o apoio econômico e estratégico fornecido a Maduro por esses países.

López agradeceu aos 60 países pelo apoio, mas disse que era "insuficiente, enquanto estão dando armas à ditadura, militares, dinheiro".

"Estão lavando dinheiro da corrupção, são seus parceiros no tráfico de drogas, estão enviando gasolina", acusou.

POUCAS EXPECTATIVAS NO MÉXICO.

Quanto aos diálogos em busca de um entendimento entre governo e oposição que estão sendo realizados no México, López os defendeu como o caminho a seguir, mas não prevê grandes resultados.

"Não tenho grandes expectativas, porque conhecemos a ditadura, mas acho que, por enquanto, pode ser o único espaço de luta para unificar o esforço que está sendo feito na Venezuela e também para unificar a comunidade internacional", disse ele.

López, que deixou a Venezuela clandestinamente cruzando a fronteira com a Colômbia, afirmou que a estrutura dos países que apoiam ambos os lados no diálogo pode oferecer a possibilidade de abrir um caminho "para eleições parlamentares e presidenciais livres, justas e verificáveis". EFE

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