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O presidente do Partido Liberal, principal legenda de oposição no Paraguai, Efraín Alegre, criticou a gestão da crise sanitária por parte do presidente Jair Bolsonaro e disse que faltam medidas comuns do Mercosul no combate à propagação do novo coronavírus.

"Bolsonaro tem algumas características que não são precisamente prudência, respeito à ciência e atuação coordenada não só no Brasil, mas com as demais nações do mundo", comentou Efraín, ressaltando que a pandemia teve origem na China e chegou à Europa antes de entrar nas Américas.

O Brasil é o terceiro país do mundo com mais casos oficiais de Covid-19, com 271.628, o que preocupa os países vizinhos. No Paraguai, é visto como uma ameaça de contágio apesar do fechamento de fronteiras comuns, já que muitos paraguaios que vivem em cidades brasileiras têm voltado para o país portando o vírus.

"Bolsonaro é um homem que tem uma cultura caracterizada pelo autoritarismo, pela arrogância, o que representa um problema do Brasil que nós, paraguaios, sofremos", reclamou.

Nesse sentido, Efraín se disse favorável ao reforço do cordão sanitário perto do Brasil e comentou que o eixo de prevenção também inclui o acompanhamento adequado das centenas de paraguaios que voltam diariamente e a quarentena em abrigos instalados na fronteira.

O líder da oposição vê falhas também na postura do Mercosul, que além de Brasil e Paraguai conta com Uruguai e Argentina. Em sua visão, faltam ações coordenadas.

"Se estamos realmente integrados e diante de uma crise desta natureza, que ninguém pode resolver isoladamente, alguma iniciativa deveria ter sido promovida do Mercosul", considerou.

O presidente do Partido Liberal denunciou ainda uma "atitude integracionista", que ele atribuiu às ações protecionistas da Argentina e do Brasil em oposição ao espírito do Mercosul. Isso, segundo ele, estaria impedindo o avanço do bloco, cuja presidência semestral é exercida pelo Paraguai

IMPACTO ECONÔMICO.

O Paraguai chegou nesta terça-feira a 829 casos de coronavírus desde o começo da pandemia, com um total de 11 mortes. A maioria dos infectados das últimas semanas corresponde a retornados de abrigos em Ciudad del Este, na fronteira com o Brasil.

Sobre o impacto econômico da crise, Efraín declarou discordar das medidas para lidar com a emergência adotadas pelo presidente paraguaio, Mario Abdo Benítez, do Partido Colorado, que foi seu rival nas eleições presidenciais de abril de 2018.

Essas medidas resultaram em uma linha de crédito de US$ 1,6 bilhão aprovada pelo Congresso e atualmente em implementação, além de outro plano de US$ 2 bilhões.

"Para ter uma resposta econômica aos desafios do alto nível de endividamento que o Paraguai já enfrentou, acreditamos que a primeira tarefa foi a equidade fiscal", afirmou o opositor, que lembrou que seu país é um dos com a menor carga tributária do continente. EFE

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