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O líder supremo do Irã, Ali Khamenei, declarou nesta quarta-feira que os Estados Unidos não suspenderão as sanções contra o país islâmico e que, sobre as negociações de um acordo nuclear em Viena, "não se pode confiar no Ocidente".

Segundo Khamenei, na última reunião com o atual governo do presidente iraniano, Hassan Rouhani, "os americanos se mantiveram firmes em sua posição hostil e não deram um passo sequer adiante nas negociações", informou o site oficial do líder supremo.

"Os americanos dizem com palavras e promessas que suspenderão as sanções, mas não as suspenderam nem suspenderão", ressaltou Khamenei, ao criticar as condições propostas pelos ocidentais para eliminar as sanções.

"Eles dizem que é preciso incluir neste acordo uma frase que diga que 'alguns assuntos serão discutidos mais adiante' e que, caso contrário, não teremos um acordo", comentou Khamenei, ao explicar que os EUA buscam ter "uma desculpa para suas posteriores intervenções sobre o princípio de acordo e os assuntos regionais e de mísseis".

De acordo com Khamenei, se esta frase for incluída no acordo e Teerã se negar a discutir esses temas futuramente, os EUA dirão que o Irã violou o acordo. No entanto, o líder supremo opinou que os americanos não se importam de violar compromissos.

"Desconfiem do Ocidente, foi o que repeti muitas vezes. Agora, repito a mesma coisa. É uma experiência para o futuro", frisou Khamenei.

O próximo presidente do Irã, o ultraconservador Ebrahim Raisi, que tem uma abordagem mais dura em relação ao Ocidente do que a do moderado Rouhani, tomará posse na semana que vem.

Khamenei advertiu que não se deve condicionar as questões nacionais às negociações nucleares com o Ocidente e os Estados Unidos, os quais, segundo ele, são inimigos do Irã e "procuram qualquer oportunidade de prejudicar" o país islâmico.