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O futebol feminino de clubes mostra ceticismo em relação à proposta da Fifa de que a Copa do Mundo seja disputada a cada dois anos, conforme admitiram a comissária da Liga Nacional de Futebol dos Estados Unidos (NWSL, na sigla em inglês), Lisa Baird, e o diretor do futebol feminino da espanhola LaLiga, Pedro Malabia, no fórum 'Soccerex Connected'.

Durante uma mesa redonda sobre a gestão do calendário após a pandemia da Covid-19, os dois dirigentes comentaram esta possibilidade - levantada pelo presidente da Fifa, o suíço Gianni Infantino, em várias ocasiões, mais recentemente no Congresso anual da entidade, no qual propôs "finais entre confederações, continentais ou mundiais, a cada dois anos, em vez de quatro".

"A Copa do Mundo é algo genial, que atrai muita atenção, mas além do Mundial estão os clubes e ligas. O futebol tem que ser pensado como um produto, que está na sociedade, nas marcas, na televisão. Temos de dar algo durante todo o ano, não apenas a cada dois anos", disse Malabia, diretor de futebol feminino da LaLiga e da Associação Espanhola de Clubes de Futebol Feminino (ACFF), que engloba os clubes, mas não organiza a competição - que é dirigida pela Real Federação Espanhola de Futebol (RFEF).

O dirigente espanhol acrescentou que compreende "o ponto de vista" da Fifa, que precisa que "em algumas partes do mundo sejam as seleções" que promovam o futebol feminino. Porém, defendeu que em países europeus e americanos, onde existem ligas fortes, também é preciso contar com os clubes.

A comissária da NWSL disse que uma Copa do Mundo a cada dois anos seria "um desafio" devido aos calendários, mas se mostrou aberta à realização de um Mundial de Clubes feminino.

"Gostaria que houvesse um Mundial de Clubes profissionais, acho que seria algo interessante, pois o Infantino disse que tínhamos de ser inovadores, e penso que ele não se referia apenas às seleções, pois as equipes profissionais são muito importantes para esse esporte", disse a diretora da liga americana.

Já Malabia concordou que "não se deve buscar uma solução para todo o mundo do futebol feminino", mas sim analisar "como estão as coisas em cada lugar".

"Se eu pensar na Europa e nos Estados Unidos, há jogos suficientes das seleções. Talvez na Ásia e na África precisem mais das seleções, pois não há competições nacionais. Talvez tenhamos que pensar em um modelo como o Mundial de Clubes, porque, na Europa, a Liga dos Campeões Feminina está fazendo crescer o futebol feminino", acrescentou o representante dos clubes espanhóis.