EFEGonzalo Domínguez Loeda. Caracas

Do "socialismo com peculiaridades chinesas" ao "socialismo bolivariano", a crise venezuelana não dá trégua, e o governo não para de buscar alternativas para conseguir respirar. Agora, os dois Nicolás Maduro (pai e filho) voltaram os olhos para a China para imitar suas Zonas Econômicas Especiais (ZEE).

O objetivo é atrair investimentos estrangeiros, mas com as peculiaridades habituais do Caribe. Por enquanto, o projeto está cercado de mistérios, e várias vozes da oposição temem que sirva para entregar recursos naturais a interesses estrangeiros.

A prova da importância deste projeto para o governo da Venezuela foi apresentada pelo relator do projeto de lei na Assembleia Nacional, o deputado Nicolás Maduro Guerra, filho do presidente.

"Assumimos o pedido do presidente Nicolás Maduro, que propôs analisar as possíveis soluções legislativas que permitam enfrentar as correntes criminosas e as cruéis perseguições imperiais de potências estrangeiras e, desta forma, relançar as diretrizes das Zonas Econômicas Especiais (ZEE)", disse o filho de Maduro.

A menção ao pai esclarece a origem do projeto e o interesse direto do governo pela decisão do Legislativo. Além disso, invoca as sanções dos Estados Unidos como elemento de coesão e também serve como desculpa para não fornecer detalhes importantes do projeto.

Segundo Maduro Guerra, essas ZEEs serão "uma alternativa estratégica de investimento que permitirá garantir o desenvolvimento industrial científico, tecnológico e financeiro sem perder o equilíbrio interterritorial e buscar melhores condições socioeconômicas, geoestratégicas e geopolíticas".

Mas como essas SEZs funcionarão para conseguir tudo isso? Esse é o grande mistério ainda não resolvido e que nos leva a olhar para a China.

A China é um dos dois grandes aliados internacionais da Venezuela, e está claro que seu modelo econômico é cada vez mais uma referência para Maduro.

Nessas áreas em questão, o governo chinês aplicou políticas econômicas especiais, diferentes das do resto do país e mais orientadas para o mercado livre.

A isso se somam os incentivos que permitem que o comércio flua sem as restrições ou autorizações do resto do país, ao mesmo tempo em que busca atrair muitos investimentos estrangeiros.

A primeira reivindicação dos economistas na Venezuela é acabar com a falta de transparência na gestão do governo. Quase tudo sobre o gasto público é desconhecido, pois o orçamento não é consultável, assim como acontece com a produção e o preço do petróleo.

Tudo isso desencadeou as primeiras críticas. O partido de oposição Vente Venezuela, liderado pela conservadora María Corina Machado, denunciou que o chavismo pretende lançar zonas econômicas "sob medida para seus interesses, de costas para o país e com base no modelo totalitário dos chineses".

Outro crítico é o ex-deputado Luis Barragán, que denunciou que as ZEEs representam "um mecanismo muito mais rudimentar de exploração por máfias criminosas dos recursos estratégicos que permanecem no país".

O modelo importado da China e sua adaptação ao socialismo bolivariano pode ser uma alternativa à crise venezuelana ou agravar ainda mais a situação.