EFEBeirute

Centenas de manifestantes se reuniram nesta terça-feira nas entradas do edifício do Parlamento libanês e forçaram a legislatura a suspender e adiar a sessão depois de bloquear o acesso aos deputados, em novo dia de protestos que começou há um mês.

Oficialmente, secretário-geral da Câmara dos Deputados, Adnan Daher, disse que a sessão de hoje foi suspensa por falta de quórum, de acordo com um comunicado reproduzido pela Agência Nacional de Notícias (ANN).

"A decisão de adiar a sessão por tempo indeterminado se dá à luz das atuais circunstâncias extraordinárias, especialmente a situação de segurança que impediu a convocação para completar a escolha dos membros do comitê", pronunciou-se Daher.

A mobilização deste dia foi convocada através das redes sociais que chamam a bloquear o acesso ao edifício, situado no centro de Beirute. A capital é o núcleo dos protestos que começaram no dia 17 de outubro contra a corrupção do Governo, que levou o Líbano ao colapso econômico.

Nas imediações do Parlamento, as medidas de segurança foram reforçadas devido às manifestações, que reuniram centenas de pessoas. Correntes humanas, algumas delas compostas apenas por mulheres, estão sendo formadas em frente às forças de segurança.

Batendo panelas, homens e mulheres agitaram a bandeira do Líbano e gritaram palavras de ordem, apelando à queda do regime baseado num sistema confessional que contempla a partilha de responsabilidades institucionais entre as diferentes confissões religiosas do país.

AINDA NÃO HÁ CONSULTAS PARA FORMAR UM GOVERNO.

No último dia 29, 12 dias depois do início dos protestos, o primeiro-ministro Saad Hariri anunciou a sua renúncia e desde então não foram iniciadas consultas parlamentares para formar o governo.

Após o anúncio da suspensão, o presidente libanês Michel Aoun reagiu via Twitter afirmando que o objetivo de não fixar uma data para as consultas parlamentares é remover obstáculos à formação do governo e facilitar a tarefa do Presidente escolhido.

Ele insistiu que o novo governo será político, mas que terá especialistas em diferentes áreas, como a economia.

Os manifestantes pedem um novo Executivo composto por tecnocratas, embora Aoun não esteja convencido disso e tenha dito em uma entrevista que será metade e metade.

PRESIDENTE DO PARLAMENTO DIZ QUE LÍBANO ESTÁ AFUNDANDO.

Na semana passada, o Presidente do Parlamento libanês, Nabih Berri, adiou para esta terça-feira a sessão, que seria realizada a portas fechadas, na qual estava prevista a votação da aprovação de uma lei geral de anistia no país, bem como de uma série de leis para combater a corrupção.

O Líbano está passando por uma crise econômica que colocou a dívida soberana do país abaixo da classificação de títulos de alto rendimento. "O país está afundando lentamente como o Titanic", declarou Berri.