EFEBruxelas

O futebol vem acompanhando a tendência mundial de buscar a sustentabilidade ambiental e, devido ao enorme interesse que desperta, busca servir de exemplo para um consumo cada vez mais responsável dos recursos naturais.

O consumo de energia, atualmente, é o principal problema que o esporte enfrenta nesta transição para um consumo mais consciente, segundo o professor de gestão da Escola Superior de Sant'Anne de Pisa (Itália), Tiberio Daddi, na abertura da Semana Verde da União Europeia, que acontece em Bruxelas, na Bélgica.

O especialista admitiu que encontrar dados sobre o impacto ambiental do futebol é uma tarefa difícil, mas destacou que um estádio na Europa consome, em média 8 milhões de quilowatts por hora (kWh) a cada temporada, o que equivale ao gasto de 2.500 famílias.

As instalações precisam, em água, do equivalente ao que é necessário para produzir 50 mil toneladas de papel por ano. Além disso, há produção de 0,8 quilo de lixo gerado por espectador em um jogo, em um total de 750 mil toneladas por temporada.

"Sabemos que há um problema que temos que resolver e queremos ser parte da solução", afirmou o diretor de internacionalização do Betis, Toni Ortega.

O dirigente destacou o projeto do clube, que disputa a primeira divisão do Campeonato Espanhol, de construir um novo centro de treinamento "verde". A instalação será uma das maiores da Europa e buscará ser uma das mais sustentáveis.

No total, serão 51 hectares de superfície, superando os 33 do Manchester City, 28 do Ajax, 22 do Real Madrid e 16 do Barcelona, em que haverá planejamento de eficiência energética, utilização de energia solar, reuso da água, mobilidade elétrica e ventilação natural.

A experiência sustentável é inovadora, mas não é a única na Espanha. A Real Sociedad por exemplo, apresentou um projeto para converter em abono fertilizante as cascas de semente de girassol habitualmente consumidas no estádio Anoeta. Ao longo da temporada, a estimativa é de 100 mil toneladas

Além disso, já há registro de empresas dedicadas, especialmente, à redução do impacto ambiental no esporte, como a italiana Revet, que produz assentos de pláticos, com entre 30 e 40% de material reciclável, segundo explicou Emanuele Rappa, representante da firma.

Entre os desafios da utilização do produto, que acontece na estádio do modesto Pontedera, que dispita a terceira divisão do Campeonato Italiano, está tornar as chamadas "cadeiras verdes" em competitivas no mercado, já que o reaproveitamento do material torna o preço final maior, o que espera-se ser desconsiderado no futuro.

"Envolver o mundo do esporte na economia circular é uma mensagem importante", garantiu Rappa.

A Uefa, por sua vez, afirma ter incluído a gestão sustentável nas condições de licitação para que cidades recebam competições, conforme explicou o diretor de responsabilidade social da entidade, Patrick Gasser.

Na Eurocopa de 2020, que será disputada em cidades de 12 diferentes países, os ingressos para cada um dos jogos derão acesso ao transporte público, como aconteceu na edição de 2008, realizada na Áustria e Suíça.

"Falta apenas uma cidade para assinar, mas acho que os convenceremos", disse Gesser, sem revelar qual das sedes não aderiu ao projeto, entre Londres, Munique, Roma, Baku, São Petersburgo, Bucareste, Amsterdã, Dublin, Bilbao, Budapeste, Glasgow e Copenhague.

Para o dirigente da Uefa, a mobilidade e o transporte são os elementos mais importantes na transformação sustentável do esporte, já que interferem nas emissões de gás carbônico, por consequência, estão ligadas à mudança climática.

Por Javier Albisu