EFEPequim

O número de nascimentos na China continuará em tendência de baixa em 2021, agravando o problema de envelhecimento da sociedade, embora o governo tenha autorizado as famílias a terem um terceiro filho.

O Comitê Central do Partido Comunista Chinês e do Conselho de Estado - Executivo chinês - anunciaram na terça-feira que as famílias que tiverem mais de três filhos não serão multadas, ao contrário do que acontecia no passado, quando era ultrapassado o limite do filho único, que vigorou de 1979 a 2015.

O subdiretor da Comissão Nacional de Saúde, Yu Xuejun, informou em entrevista coletiva que as novas políticas têm como objetivo "evitar uma queda ainda maior do número de nascimentos" nos próximos anos".

Em 2020, o número de nascimentos (12 milhões) caiu pelo quarto ano consecutivo. Em 2019, foram 14,65 milhões. A taxa de fertilidade no ano passado foi de 1,3 filho por mulher, abaixo dos 2,1 estimados pela ONU para se manter uma população estável.

Depois de 35 anos da "política do filho único", desde 2016 é permitido que os casais chineses tenham dois descendentes, limite que aumentará após as autoridades terem anunciado em maio que os cidadãos poderão ter um terceiro filho. A medida busca resolver a crise demográfica no país mais populoso do mundo.

Yu mencionou as grandes oscilações da natalidade chinesa na última década e ressaltou o aumento do número de nascimentos em 2017 e 2016, quando foi superada a marca de 18 milhões após o fim do limite, que havia sido instaurado para mitigar o rápido crescimento populacional.

Com base no acompanhamento do número de nascimentos no primeiro semestre, a previsão é que a queda continue neste ano. Yu espera que a tendência seja revertida no curto prazo "liberando o potencial" de fertilidade.

O sucesso dependerá, segundo o subdiretor, da "implementação correta" das políticas de apoio à natalidade. De acordo com o censo apresentado em maio e elaborado a cada dez anos, a China conta agora com quase 1.412 milhões de habitantes, mas o envelhecimento e a baixa natalidade já preocupam Pequim.