EFEAdis Abeba

O primeiro-ministro da Etiópia, Abiy Ahmed, anunciado nesta sexta-feira como vencedor do prêmio Nobel da Paz, afirmou que se orgulha de ter recebido o "reconhecimento eterno" dos ideais de "união, cooperação e coexistência mútua".

"Este reconhecimento é um testemunho eterno dos ideais do Medemer ('permanecer juntos' ou 'sinergia', em amárico) de união, cooperação e coexistência mútua que o primeiro-ministro permanentemente liderou", expressou o gabinete do governante em comunicado.

Ahmed receberá o prêmio "pelos esforços para alcançar a paz e a cooperação internacional e, em particular, pela decisiva iniciativa de solucionar o conflito na fronteira com a vizinha Eritreia", segundo afirmou o Comitê Nobel da Noruega.

O escritório do premiê ressaltou que, desde que Ahmed assumiu o poder, no dia 2 de abril de 2018, fez "da paz, do perdão e da reconciliação componentes fundamentais da sua política", com medidas como a anistia a centenas de presos políticos e o aumento do espaço político, tirando da lista de grupos terroristas partidos opositores que estavam no exílio.

"Em nível regional, ao dar fim à estagnação de duas décadas entre Etiópia e Eritreia, abriu uma nova dimensão de possibilidades de cooperação entre as duas nações", diz o comunicado.

Em 9 de julho de 2018, o governo eritreu anunciou que o "estado de guerra que existia entre os dois países" tinha acabado, um anúncio contido em um acordo assinado pelo próprio Ahmed e o presidente e ditador da Eritreia, Isaias Afwerki, meses depois em Riad.

A Eritreia se tornou independente da Etiópia em 1993, mas os conflitos na fronteira levaram a uma guerra entre 1998 e 2000 que deixou milhares de mortos.

Acabou com um tratado de paz, o Acordo de Argel, muito impopular na Etiópia porque muitos etíopes o veem como uma traição a uma guerra que eles ganharam e na qual o próprio Ahmed combateu como membro do Exército.

"O primeiro-ministro Abiy Ahmed foi líder da estabilidade regional e da integração no espírito do Medemer ('permanecer juntos' ou 'sinergia')", destacou o gabinete do primeiro-ministro, que lembrou o papel do governante como mediador na transição pacífica do Sudão e a renovação do acordo de paz no Sudão do Sul.

"Este reconhecimento é uma vitória coletiva dos etíopes, e um pedido para fortalecer a nossa determinação de tornar a Etiópia uma nação mais próspera para todos", acrescenta a nota.

Aos 43 anos, Abiy Ahmed, de mãe amara - o segundo maior grupo étnico do país - de religião cristã ortodoxa e pai oromo - o maior grupo étnico - muçulmano, é o sucessor de Hailemariam Desalegn no cargo. O parlamento do país é ocupado por um único partido, liderado pelo próprio premiê.