EFEGenebra

A Organização Mundial da Saúde (OMS) afirmou nesta quarta-feira que todas as mulheres têm o direito de decidir sobre seu corpo e sua saúde, diante da proibição do aborto decidida nos Estados Unidos, ao qual considera um "retrocesso".

"Todas as mulheres devem ter o direito de decidir quando se trata do seu corpo e sua saúde. Ponto final", enfatizou o diretor-geral da OMS, Tedros Adhanom Ghebreyesus, em entrevista coletiva onde abordou diversos temas de saúde de interesse internacional.

Ele comentou que não há dúvida de que restringir o acesso ao aborto "leva mulheres e meninas a optarem por abortos inseguros, resultando em complicações e até a morte".

A OMS indicou que esta posição “não se baseia em hipóteses”, mas em múltiplas investigações e evidências científicas.

Além disso, tornar o aborto ilegal tem consequências mais graves para as mulheres que já encontram social e economicamente desfavorecidas.

“Limitar o acesso ao aborto seguro custa vidas e tem um maior impacto nas mulheres das comunidades mais pobres e marginalizadas”, disse o diretor da OMS, lamentando que com a decisão da Justiça americana vire as costas para quatro décadas de progresso nesta área.

Tedros considerou que no debate contra o aborto aqueles que são contra ele "tende a simplificar" o que significa ter ou não acesso a esse procedimento médico, e que deve ser entendido que além do direito de escolha, "o que está em jogo é a própria vida" das mulheres.

Ele insistiu que proibir o aborto não reduzirá esse ato, mas levará as mulheres a fazê-lo em condições que lhes poderão custar a vida.

"Minha experiência na Índia é que o acesso ao aborto salva vidas e negá-lo é como negar a alguém um medicamento que pode salvar sua vida", disse a cientista-chefe da OMS, Soumya Swaminathan, médica de origem indiana.

"Se elas não tiverem acesso, (as mulheres) vão tentar de qualquer jeito. Isso as leva para as mãos de pessoas que se aproveitam da situação e há um grande prejuízo para a saúde ou morte devido a complicações que podem surgir, tais como infecções", explicou.

A cientista antecipou que "veremos mais mortalidade e morbidade como resultado dessa decisão".

Tedros também disse que preocupa o impacto simbólico que pode ter a decisão nos Estados Unidos - com o qual o governo Joe Biden discorda -, pois pode enviar uma mensagem errada para outros países onde há movimentos "contra o direito de mulheres decidirem, o que é preocupante". EFE