EFENairóbi

A ONU firmou um acordo com o governo da Etiópia para permitir o acesso de ajuda humanitária à região do Tigré, impactada há um mês por um conflito armado, confirmaram fontes das Nações Unidas à Agência Efe nesta quarta-feira.

O acordo garante que "as organizações humanitárias tenham acesso livre, sustentado e seguro para o pessoal humanitário e suprimentos a áreas sob controle do governo federal na região do Tigré", disse o porta-voz do Escritório das Nações Unidas para a Coordenação de Assuntos Humanitários (OCHA) para a África Oriental, Saviano Abreu, em Nairóbi.

O acesso ao Tigré, onde centenas de pessoas morreram devido à guerra e mais de 45 mil fugiram da violência para o vizinho Sudão, será efetivado a partir desta quarta-feira com uma missão na vizinha região etíope de Afar.

A ONU estima que mais de um milhão de pessoas podem precisar de assistência como resultado da guerra no Tigré, uma região com pouco mais de cinco milhões de pessoas, 5% da população da Etiópia (cerca de 110 milhões de pessoas).

Até agora, a Etiópia proibia a entrada de trabalhadores humanitários em Tigré, região que faz fronteira com Eritreia e Sudão, e o secretário-geral da ONU, António Guterres, pediu na semana passada a garantia de acesso para as agências humanitárias.

A assistência à população afetada pelo conflito "será baseada estritamente nas necessidades das pessoas afetadas e será realizada de acordo com nossos princípios de humanidade, imparcialidade, independência e neutralidade", disse Abreu.

"Estamos trabalhando para garantir que as pessoas afetadas pelo conflito sejam assistidas sem distinção ou discriminação de qualquer tipo e que a assistência se baseie unicamente na urgência de suas necessidades", acrescentou o porta-voz da OCHA.

O acordo foi anunciado depois que o primeiro-ministro etíope, Abiy Ahmed, declarou no sábado que o governo central havia conseguido o "controle total" da capital regional, Mekele.

FIM DA "ÚLTIMA FASE" DO CONFLITO.

A tomada de Mekele marca o fim da "última fase" da ofensiva armada ordenada em 4 de novembro contra a Frente Popular de Libertação do Tigré (FPLT), o partido no poder na região, em retaliação a um ataque das forças regionais a uma base militar etíope.

Abiy também disse que a vitória em Mekele foi obtida "sem ferir civis e sem causar danos à infraestrutura e ao patrimônio histórico".

Neste conflito, é complicada a tarefa de verificar a versão de ambos os lados, pois tanto a comunicação via internet como a comunicação telefônica foram cortadas, e o governo etíope restringiu o acesso dos jornalistas ao Tigré. Abiy, ganhador do Prêmio Nobel da Paz de 2019, rejeitou os apelos internacionais para a cessação das hostilidades contra a FPLT.