EFEA bordo do avião papal

O papa Francisco afirmou nesta sexta-feira que a corrupção está por trás da exploração desenfreada do meio ambiente, do desmatamento e da destruição da biodiversidade.

A declaração foi em resposta a uma pergunta de um jornalista que questionou o pontífice se os governos da região da Amazônia estão fazendo o suficiente para proteger a maior floresta tropical do mundo.

A entrevista coletiva foi concedida a bordo do avião que leva o papa de volta a Roma após a viagem por Moçambique, Madagascar e Ilhas Maurício. O desmatamento e a proteção do meio ambiente foram temas centrais da passagem de Francisco pelo sudeste da África.

"A maior exploração que ocorre hoje, não só na África mas no mundo todo, é a do meio ambiente, com o desmatamento e a destruição da biodiversidade, que é tão necessária para a humanidade", criticou o pontífice na entrevista.

Francisco revelou que ouviu de pescadores com quem conversou há alguns dias que eles tinham retirado seis toneladas de plástico do mar e lembrou que no Vaticano o uso do material está proibido. E que sentiu tristeza ao ver um vídeo de um navio quebra-gelo que atravessava o polo norte sem problema por um local onde antes havia uma geleira.

O papa ainda disse estar esperançoso de ver os mais jovens lutando pelo meio ambiente e destacou que o Acordo Climático de Paris foi muito positivo para humanidade.

Ao ser lembrado que a pergunta era sobre as ações dos governantes na Amazônia, o papa respondeu que "alguns estão fazendo mais, outros menos".

"Há uma palavra que eu tenho que dizer que está na base da exploração do meio ambiente. E a palavra é feia, é a corrupção", disse Francisco.

"Eu preciso fazer isso, mas para fazer isso eu tenho que desflorestar aquilo. Preciso das permissões do governo e vou ao responsável. E a pergunta que fazem para que o projeto seja aprovado, e aqui repito literalmente algo que me disse um empresário espanhol, é 'quanto'?", criticou o papa. Cristina Cabrejas.