EFECannes (França)

"Bacurau" conquistou neste sábado o Prêmio do Júri do Festival de Cannes, mas o diretor Kleber Mendonça Filho acredita que o presidente Jair Bolsonaro não gostará do filme, que mistura fantasia, realidade e crítica social.

"Bolsonaro tem todo o direito de ser convidado a ver o filme, mas não acredito que gostará", afirmou Mendonça Filho em entrevista coletiva após a conquista do prêmio, inédito para o cinema do país.

O filme traz uma dura crítica à situação atual do Brasil, especialmente ao abandono da educação e da cultura.

"Seguimos fazendo filmes lutando contra a realidade brasileira. Neste momento, a cultura no Brasil está sendo abandonada", disse Dornelles, que celebrou também a conquista de "A Vida Invisível de Eurídice Gusmão", do brasileiro Karim Ainouz, do prêmio principal da mostra "Um Certo Olhar", a segunda mais importante em Cannes.

Já Mendonça Filho destacou a ironia de os dois filmes brasileiros serem premiados enquanto o governo de Bolsonaro estuda promover cortes na educação e na cultura.

"Esses prêmios para 'Bacurau' e para Ainouz são irônicos. Há um sentimento que o cinema está sendo destruído internamente e espero que isso possa ajudar a mudar as coisas", afirmou o diretor.

Ao receber o prêmio no Teatro Lumière, os dois produtores brasileiros dedicaram a conquista aos trabalhadores dos setores da ciência, da educação e da cultura.

"Somos embaixadores da cultura no Brasil", disse Mendonça Filho. EFE

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