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Real Madrid e Barcelona estão no mesmo patamar dos grandes clubes da Premier League na distribuição de direitos audiovisuais, apesar de a primeira divisão inglesa ter uma receita muito superior à do Campeonato Espanhol, principalmente por causa do "grande mercado doméstico", disse o presidente da LaLiga, Javier Tebas, no III Fórum Efe Sport Business Days, em um painel sobre financiamento no mundo do esporte.

"Quantitativamente, a Premier League tem mais receitas do que a liga espanhola. Especialmente por causa do mercado doméstico inglês, que tem muito mais habitantes, conta com maior renda per capita, maior penetração da TV paga. É impossível (comparar). Se na Espanha não chegarmos aos 30 milhões de habitantes que eles têm de vantagem, não poderemos alcançar o valor daquele mercado nacional com direitos audiovisuais", declarou o principal dirigente da entidade que organiza a primeira divisão espanhola.

Barcelona é a equipe da Espanha que recebe mais dinheiro de direitos audiovisuais e a quarta em nível internacional - com 165,6 milhões de euros. O Manchester City ocupa a liderança geral (168,72 milhões de euros), e o Real Madrid, com 163 milhões, é o sexto colocado.

"A nível internacional, os clubes ingleses ainda estão um degrau acima, mas agora estão menos à nossa frente. Fizemos uma redução significativa (da desvantagem) nos últimos anos e estamos nos aproximando, mas no mercado interno temos que ser objetivos: é impossível", explicou.

Entretanto, apesar de não poder competir em igualdade de condições com o mercado interno inglês, o presidente da LaLiga declarou que "o valor que a LaLiga recebe, qualitativamente, de longe o torna o campeonato mais bem pago do mundo".

"O Real Madrid e o Barcelona, com o dinheiro que recebem da LaLiga, são como os melhores da Premier League", enfatizou.

Tebas também explicou durante sua participação no fórum por que na Espanha a distribuição não é semelhante à da Bundesliga ou à da Premier League e é mais desequilibrada entre as equipes.

"Quando o Decreto Real da televisão foi feito, em 2015, argumentou-se que a distribuição teria que ser como na Premier League, mas aqui alegamos - e acreditamos com bons critérios - que, se fizéssemos este tipo de distribuição tão igualitária, prejudicaríamos a competitividade das equipes na Europa (em relação à performance nas competições continentais)".

O presidente da LaLiga disse ainda que, além do fato de os dois maiores clubes espanhóis serem competitivos com os da Premier League em termos econômicos, alguns times como o Atlético de Madrid devem se juntar a essa elite.

"Nós não estamos fora (da disputa). Nossos grandes clubes ainda são economicamente competitivos com a Premier League. Inclusive creio agora que o Atlético de Madrid e alguns mais, em dois ou três anos, podem chegar a um nível de receita equivalente a do quinto maior clube inglês, vamos ver. São clubes que estão crescendo exponencialmente nos últimos anos", alegou. EFE