EFESantiago do Chile

Um relatório da Defensoria da Infância do Chile divulgado nesta segunda-feira indicou que 1.314 menores sofreram violações de direitos humanos durante os protestos que ocorreram no país no fim de outubro de 2019.

O documento foi elaborado a partir de dados recolhidos pelo Ministério Público chileno.

Dois anos depois da convulsão social no país, o relatório da Defensoria da Infância apontou os Carabineros - a polícia militar do Chile -, como concentrando a maior parte dos delitos, concentrando 83% dos casos.

Segundo o informe, 83,2% dos menores afetados pela quebra de direitos durante as manifestações tinham de 14 a 17 anos, sendo vítimas, principalmente, de abordagens ilegais (72% dos casos), abusos contra particulares (17%), tortura e tratamento degradante (5%).

Segundo a Defensoria da Infância, durante os protestos, 35 menores foram diagnosticados com algum trauma ocular.

Apenas 1% dos agentes acusados de cometerem infrações foram acusados formalmente, enquanto 5% dos casos tem um responsável identificado pelas autoridades.

"A falta de verdade, justiça e reparação para as vítimas de violações dos direitos humanos não é algo que afeta apenas profundamente as vidas delas, em participar, é algo que vai minando toda a sociedade e que, como país, não podemos permitir", afirmou Patricia Muñoz, integrante da Defensoria.

"Quisemos revelar uma vez mais a situação dos mais de 1.000 meninos, meninas e adolescentes que foram vítimas no contexto da convulsão social e denunciar o abandono e desproteção por parte do Estado em que se encontram", completou a ativista.

Os protestos de outubro de 2019 contra o modelo neoliberal adotado pelo Estado chileno, foram os mais intensos desde o fim da ditadura militar de Augusto Pinochet. Nos atos, mais de 30 pessoas morreram e milhares ficaram feridas.

Organizações como a Human Rights Watch (HRW) e a Anistia Internacional (AI) denunciaram diversas violações aos direitos humanos cometidas por agentes do Estado, especialmente, pelas forças policiais.

De acordo com dados do Ministério Público do Chile e do Instituto Nacional de Direitos Humanos, complicados pela AI, até março deste ano, são contabilizadas mais de 8 mil vítimas de violência e mais de 400 casos de traumas oculares resultantes da ação policial. EFE