EFEBuenos Aires

As complexas negociações da Argentina com credores privados para reestruturar cerca de US$ 66 bilhões em títulos da dívida do país sob direito estrangeiro vivem horas decisivas à medida em que os mercados se apressam para comprar ativos argentinos, otimistas de que um acordo será alcançado.

O prazo para os credores aderirem à oferta melhorada de swap formalizada há um mês pela Argentina termina na tarde desta terça-feira, mas, caso não atinjam o nível de adesão necessário, o governo de Alberto Fernandez poderá prorrogar o prazo para continuar com as negociações.

Embora os rumores na imprensa local sobre o progresso do processo não tivessem sido muito positivos no último fim de semana, nesta segunda-feira começaram a circular versões sobre uma possibilidade de se chegar a um entendimento, o que rapidamente impulsionou o preço dos ativos argentinos.

O S&P Merval, principal índice da Bolsa de Valores argentina, que operava em queda ao longo do dia, fechou em forte alta de 6,5%.

ETFs de ações argentinas também fecharam com valorizações de até 12,5% em Nova York, e títulos públicos argentinos avançaram de 2,9% a 3,8% em suas principais referências em dólares.

As melhores perspectivas para a dívida da Argentina também se refletiram em uma queda de 150 pontos-base no índice de risco país argentino, para 2.119.

A reação do mercado antecipa um possível acordo entre a Argentina e os principais comitês de credores privados, que encaram árduas negociações desde abril, quando o país fez sua primeira oferta de swap de títulos.

Desde então, as partes têm trocado várias alternativas de reestruturação.

Em 5 de julho, a Argentina formalizou uma nova oferta, com melhorias em relação à realizada em abril. No entanto, ela acabou rejeitada pelos três maiores grupos de credores privados, liderados por grandes fundos de investimento.

Os comitês, por sua vez, apresentaram uma contraproposta conjunta, mas ela foi contestada pelo governo de Alberto Fernández.

Em termos de valor presente líquido, a diferença foi reduzida em cerca de três dólares, pois enquanto a oferta da Argentina foi avaliada em cerca de US$ 53 para cada US$ 100 de dívida, a dos credores foi avaliada em cerca de US$ 56.

Persistem, entretanto, diferenças quanto às cláusulas legais que os novos títulos a serem emitidos para a troca terão, e embora o governo tenha se mostrado disposto a fazer algumas concessões nesta área, advertiu que não se desviará dos padrões do G20, do Fundo Monetário Internacional e da Associação Internacional do Mercado de Capitais.