EFEBruxelas

Todos os países serão decisivos nas eleições mais abertas da história do Parlamento Europeu, mas cinco deles, devido ao equilíbrio de poder e à situação política, são decisivos para determinar quem liderará a União Europeia (UE) depois do próximo domingo.

1. FRANÇA

O panorama político enfrentado pela França, membro fundador da União Europeia, nessas eleições é um exemplo da crise existencial que o projeto comunitário vive pela insatisfação da população com as instituições europeias. O movimento liderado do presidente Emmanuel Macron, o Em Marcha, abalado pelos protestos dos "coletes amarelos", pode ficar atrás da Frente Nacional, da opositora Marine Le Pen.

Os dois, no topo das pesquisas, com cerca de 20% dos votos cada um, representam as duas Europas possíveis: a que quer continuar avançando e a que prefere certa dissolução do bloco a favor da devolução da soberania cedida às instituições europeias aos países.

Assim, Macron conseguir um bom resultado no dia 26 é fundamental para inclinar a balança do futuro equilíbrio de forças dentro do Parlamento Europeu para o lado dos defensores do bloco, democratas-cristão, social-democratas e ecologistas, principalmente.

2. ITÁLIA

Outro dos sete membros fundadores da UE, a Itália é fundamental porque pela primeira vez um partido anti-União Europeia, a Liga Norte, do ministro do Interior, Matteo Salvini, é o favorito para ganhar as eleições europeias no país, de acordo com as pesquisas.

Além disso, segundo levantamento realizado recentemente, só 49% votariam em favor de seguir no bloco caso fosse convocado um referendo sobre a participação da Itália na UE.

Com a avaliação de que o Partido Democrático (PD) não ajudará a ampliar a participação da coalizão social-democrata no Parlamento Europeu, como ocorria até agora, e com as dificuldades do Força Itália de se reerguer, apesar do efeito midiático da candidatura do ex-primeiro-ministro Silvio Berlusconi, o país quase não deve eleger representantes que defendam propostas de maior integração do bloco.

3. POLÔNIA

Segundo as pesquisas, o eurocético e anti-imigração Lei e Justiça (PiS) venceria as eleições para o Parlamento Europeu na Polônia com 41,1% dos votos. Membro da UE desde 2004, o país deve eleger um grande número de representantes de partidos críticos ao bloco e à Comissão Europeia, que abriu várias investigações contra as reformas do Judiciário realizadas pelo PiS, que, segundo o órgão, não se adequam aos princípios e valores comunitários.

Das 51 cadeiras em disputa na Polônia, 23 poderiam ir para o PiS, que, junto com Le Pen, sonda os futuros eurodeputados do espanhol Vox para compor um novo bloco dentro do Parlamento Europeu. Além dele, o ultradireitista Kukiz'15' poderá obter de três a cinco deputados para o país, conforme as pesquisas.

4. HUNGRIA

Se existe um primeiro-ministro na UE que atenda pelo qualificativo de "criança terrível" para a UE, esse é Viktor Orbán, líder do Fidesz, que vem no primeiro lugar nas pesquisas com 52% das intenções de voto. Ele é seguido por nada menos que os extremistas ultranacionalistas do Jobbik, também contrários às políticas da UE.

Até há alguns meses, Orbán estava "controlado" dentro do Partido Popular Europeu (PPE), que decidiu suspender a sua filiação após uma série de insultos ao presidente da Comissão Europeia, Jean-Claude Juncker.

O político nacionalista, muito crítico das atuais autoridades europeias, principalmente com relação às políticas migratórias, nas últimas semanas se reuniu várias vezes com o Matteo Salvini.

5. REINO UNIDO

O país fará parte de uma eleição da qual não deveria participar se a negociação do Brexit não tivesse estagnado. Apesar de os britânicos terem aprovado a saída da UE em referendo, a manutenção do país no pleito pode beneficiar candidatos ligados a legendas europeístas, entre eles os do Partido Trabalhista, principal opositor da primeira-ministra do Reino Unido, Theresa May.

Caso o Reino Unido deixe o bloco na metade do mandato dos novos eurodeputados, o equilíbrio de forças no Parlamento Europeu será radicalmente afetado, enfraquecendo especialmente as coalizões de esquerda. Mesmo assim, o presidente da Comissão Europeia já terá sido eleito pela composição original.

O Brexit deverá prejudicar pelo menos dois grupos eurocéticos no Parlamento Europeu: o dos Reformistas e Conservadores Europeus (ECR) e o da Europa da Liberdade e da Democracia Direta (EFDD). O segundo é integrado pelo UKIP, mas deve ser controlado na nova legislatura pelo Movimento 5 Estrelas, da Itália.