EFEParis

O tetraplégico francês Vincent Lambert, em estado vegetativo há mais de dez anos, morreu nesta quinta-feira, nove dias após a equipe médica do hospital de Reims ter iniciado o protocolo para retirar sua alimentação e hidratação artificial.

Seu sobrinho, François Lambert, informou aos veículos de imprensa que a morte aconteceu às 8h24 (horário local, 3h24 de Brasília).

O caso de Vincent tinha se transformado na França em símbolo do debate em torno da morte digna e também em confronto dentro da sua própria família: seus pais, fervorosos católicos, lutaram para manter seu tratamento, e sua esposa e responsável legal, Rachel Lambert, era contrário à crueldade terapêutica.

No entanto, depois de anos de batalha legal na ausência de um testamento vital que refletiu sua vontade, os pais, Viviane e Pierre, aceitaram na última segunda-feira sua morte como algo inevitável e anunciaram que não apresentariam novos recursos.

"Agora é a hora da família se reunir. Temos que tirar lições deste caso que às vezes foi obsceno em nível judicial. As incoerências judiciais foram desgastantes para todos", disse o advogado do sobrinho, Gérard Chemla, à emissora local "BFM TV".

Lambert, um ex-enfermeiro de 42 anos, sofreu um acidente de trânsito em 2008 que o deixou tetraplégico e totalmente dependente. Em 2011, os médicos descartaram qualquer possibilidade de melhora e, em 2014, sua condição foi classificada como vegetativa.

A equipe médica iniciou o processo para retirar o tratamento em 2 de julho, depois que a Suprema Corte reabriu a via para fazê-lo ao anular uma sentença anterior do Tribunal de Apelação e encerrar a possibilidade de interpor novos recursos.

A decisão dos pais de não apresentar novos recursos para tentar retomar os tratamentos não significa que a batalha entre os dois lados tenha terminado.

O advogado Jean Paillot, representante dos pais, sustentou em umas declarações divulgadas na última segunda pela emissora "France Info" que, quando chegar o momento, "os responsáveis pela morte de Vincent Lambert terão que prestar contas".

De fato, o advogado apresentou, na última sexta-feira, uma denúncia no Ministério Público de Reims contra o médico Vincent Sánchez e sua equipe de cuidados paliativos por "tentativa de homicídio voluntário".