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O ministro das Relações Exteriores do Uruguai, Francisco Bustillo, declarou nesta quarta-feira que o Mercosul precisa mudar a sua mentalidade para se adequar e se fazer mais presente no mercado internacional.

"Neste momento em que o Mercosul já tem 30 anos, ele precisa necessariamente se atualizar, e quando falamos em atualização, isso significa, nas circunstâncias atuais, conseguir uma melhor inserção internacional", declarou Bustillo à imprensa depois de ter discursado na Comissão de Assuntos Internacionais da Câmara dos Deputados.

O ministro apresentou o progresso da proposta para tornar o bloco regional mais flexível, feita pelo presidente uruguaio, Luis Lacalle Pou, aos outros chefes de Estado do bloco político-econômico.

"Acho que estamos todos nos movendo com a melhor disposição e, além de encontrar posições, acho que o que está em jogo é continuar falando para chegar a uma posição comum", destacou o ministro das Relações Exteriores.

Bustillo viajará para o Brasil nesta quinta-feira acompanhado pela Ministra de Economia e Finanças, Azucena Arbeleche, para uma reunião com seus homólogos brasileiros em busca de consenso sobre a proposta que eles compartilham.

"O Uruguai, juntamente com o Brasil, apresentou uma proposta clara para tornar a inserção internacional mais flexível e reduzir a tarifa externa comum. Na semana passada, fomos a Assunção, e nesta iremos a Brasília", destacou Arbeleche em entrevista coletiva após o Conselho de Ministros nesta quarta.

Por sua vez, Daniel Caggiani, deputado da Frente Ampla (FA) - coalizão de esquerda que governou no Uruguai entre 2005 e 2020 e agora está na oposição nacional, afirmou à Agência Efe que as respostas dadas pelo ministro das Relações Exteriores foram insatisfatórias a uma proposta que, segundo ele, só teve aval do Brasil.

"Não houve nenhum progresso substancial. É uma preocupação que expressamos ao ministro das Relações Exteriores porque a ideia era ter uma resolução sobre o assunto dentro do primeiro semestre do ano", destacou Caggiani.

O deputado também lembrou que nos 15 anos do governo da FA havia um tom de ter uma visão de desenvolver processos de integração com um mercado que integra mais de 300 milhões de pessoas e que é, em suas palavras, "uma plataforma de inserção no mundo".

Além de tornar o bloco mais flexível para que os países possam negociar por conta própria com outras nações ou grupos, a proposta apresentada pelo Uruguai também considera a intenção do Brasil de baixar a tarifa externa comum.