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O governo da Venezuela rechaçou nesta sexta-feira as declarações do alto representante da União Europeia (UE) para Assuntos Exteriores, Josep Borrell, de que o que vai legitimar ou não as eleições de 21 de novembro no país é o relatório da missão do bloco sobre o resultado das urnas.

"A Venezuela rejeita categoricamente as declarações (...) nas quais se afirma que a Missão de Observação Eleitoral da UE (MOE) na Venezuela para o próximo processo eleitoral (...) tem como objetivo acompanhar a oposição (...) que vai participar das eleições e que o que vai 'legitimar ou deslegitimar' o processo eleitoral será o relatório", informou o governo em comunicado.

Borrell defendeu mais cedo, durante um evento organizado pelo Nueva Economía Fórum, em Madri, que a missão "acompanhará" a oposição, porque "é uma garantia maior para ela" de que os observadores da UE estarão "presentes auditando o sistema".

Ele também afirmou que, para ele, o que vai "legitimar ou deslegitimar" o pleito será a conclusão do relatório elaborado pela missão da UE, a primeira que o bloco enviou ao país sul-americano em 15 anos.

O governo venezuelano considerou que esta declaração "revela uma intenção ingerencista de usar a missão (...) em benefício de um viés político" e "em detrimento do estabelecido no acordo assinado" entre o Conselho Nacional Eleitoral (CNE) e a delegação da UE no país.

"A UE parece entender mal seu papel no processo político venezuelano, perdendo a oportunidade de se posicionar como um agente respeitável, imparcial e independente para se posicionar como um agente político subordinado à política externa dos Estados Unidos e alguns setores da extrema-direita, que pretendem minar o processo eleitoral e democrático venezuelano", acrescenta o comunicado do governo.

A nota ainda enfatiza que "a Venezuela não aceitará qualquer interferência" e que uma missão de observação "com as características descritas pelo Sr. Borrell não será aceita".

O governo venezuelano também exigiu que os representantes da UE "se abstenham de manipular politicamente" a missão e que esta "mantenha uma conduta rigorosa de imparcialidade, objetividade, independência e não-interferência no processo eleitoral". EFE