EFENações Unidas

O presidente da China, Xi Jinping, garantiu nesta terça-feira, em discurso na Assembleia Geral da ONU, que o país não entrará em nenhum tipo de guerra, "nem fria, nem quente", apesar das fortes tensões com os Estados Unidos e as advertências da entidade internacional sobre a crescente divisão entre as duas superpotências.

Em mensagem de vídeo enviada às Nações Unidas, Xi ressaltou que a China nunca buscará a "hegemonia" e que aposta em um mundo baseado na cooperação e no multilateralismo.

O mandatário disse que a China se esforçará para resolver qualquer disputa através do diálogo e da negociação e que acredita que, no mundo interconectado de hoje, nenhum país ganha com os problemas do outro.

Minutos antes da fala de Xi, o presidente americano, Donald Trump, em discurso, exigiu que a China seja responsabilizada por "infectar o mundo" com a Covid-19 e criticou as políticas ambientais do país asiático, com o argumento de que as "emissões de carbono" chinesas são "quase o dobro das dos Estados Unidos e estão crescendo rapidamente".

Em seu discurso, filmado antecipadamente como os demais líderes, Xi buscou um contraste com as teses mais nacionalistas de Trump e apresentou a China como grande apoiadora do sistema multilateral e da solidariedade internacional.

"Devemos nos ver como membros da mesma grande família, buscar a cooperação ganha-ganha e nos colocar acima de disputas ideológicas, sem cair na armadilha da guerra das civilizações", declarou.

Xi também abordou a guerra comercial com os Estados Unidos, insistindo que a globalização econômica é uma realidade incontestável e que tentar combatê-la com a "lança de Dom Quixote é ir contra uma tendência da história".

"Sejamos claros, o mundo jamais voltará ao isolamento e ninguém poderá cortar os laços entre os países", disse o líder chinês, que insistiu em trabalhar para promover o desenvolvimento equilibrado em todo o mundo.

"A China é o maior país em desenvolvimento do mundo, um país comprometido com o desenvolvimento pacífico, aberto, cooperativo e comum. Nunca buscaremos hegemonia, expansão ou esferas de influência", enfatizou.