EFEPunta Cana (República Dominicana)

A infraestrutura sustentável, com ênfase na prevenção e na adaptação à mudança climática, e a necessidade de aumento da transparência foram os principais assuntos do Fórum PPP Américas 2019 nesta quinta-feira, último dia do evento.

"Não só acreditamos que existe uma lacuna de infraestrutura na América Latina, mas também que a qualidade é baixa. Queremos fazer uma infraestrutura mais resistente com a finalidade da mudança climática", afirmou Gema Sacristán, diretora-geral de investimentos do BID Invest, o braço privado do Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID), coorganizador da conferência.

Sacristán ressaltou o compromisso no BID para que 30% das operações até 2020 levem em consideração a prevenção e a adaptação à mudança climática.

"Os governos têm que entender que embora a infraestrutura sustentável possa custar um pouco mais hoje, a longo prazo isso se paga", ressaltou a economista no fórum de Parcerias Público-Privadas (PPPs) realizado em Punta Cana, na República Dominicana.

Este é o caso da região do Caribe, uma das mais vulneráveis à mudança climática e onde o turismo é uma das maiores fontes de faturamento e crescimento. Segundo Sacristán, os investidores também têm cada vez mais interesse nesses aspectos.

"O setor privado está mudando muito rápido. Nos últimos três anos tem incorporado as grandes agendas de desenvolvimento sustentável. Antes, isso era um assunto dos órgãos multilaterais como o BID ou o Banco Mundial. Hoje, não, (o setor privado) abraça essa agenda e a vê uma oportunidade de negócio", analisou.

Outro elemento fundamental para o sucesso das PPPs, e que foi amplamente debatido no fórum, é a transparência e o fortalecimento dos marcos regulatórios.

"América Latina e Caribe têm um forte desempenho na área de Regulações, e as PPPs são aceitas quase universalmente como uma ferramenta de contratação, adoção generalizada de planos nacionais de infraestrutura e melhorias nos indicadores de sustentabilidade", segundo o último índice Infrascopio, elaborado a cada dois anos pela empresa de consultoria britânica The Economist Intelligence Unit.

Chile, Colômbia e Peru são os países com mais capacidade de realizar Parcerias Público-Privadas sustentáveis na região, de acordo com o estudo.

Se a regulação é a área com as maiores pontuações, o financiamento é o que conta com as menores, o que "mostra que as instituições para financiar infraestrutura são incipientes na América Latina e o Caribe".

O relatório, que se baseia em cinco categorias (regulação, instituições, maturidade, clima de investimento e financiamento), destacou os "avanços" regionais na última década.

"A transparência e a prestação de contas durante o ciclo de vida das PPPs são essenciais para garantir que estejam bem gerenciadas e para documentar os sucessos a fim de gerar apoio público para futuras iniciativas", ressalta o estudo.

A região atualmente investe cerca de 3,5% do PIB, quando os cálculos do banco estimam que para se alcançar o nível de desenvolvimento adequado deveriam ser investidos entre 5% e 6%, o que representa uma lacuna equivalente a US$ 150 bilhões ao longo dos próximos anos.

Como o enorme volume de financiamento requerido não é "suficiente" apenas com os fundos regionais, é preciso recorrer a investidores internacionais, e as PPPs são instrumentos que podem dar resultados benéficos para ambas as partes, analisou Ancor Suárez-Alemán, especialista de PPPs no BID.

O fórum PPP Américas, que termina nesta quinta-feira, reuniu mais de 500 representantes do setor público e investidores privados na região.

Por Alfonso Fernández