EFEBuenos Aires

O presidente do Banco Central da Argentina, Miguel Angel Pesce, disse nesta quarta-feira que as negociações de seu país para refinanciar uma bilionária dívida com o Fundo Monetário Internacional (FMI) não incluem a possibilidade de um "salto cambial" que depreciaria a moeda nacional, o peso.

"Era clássico nos programas do FMI pedir aos países que fizessem ajustes nas taxas de câmbio ou saltos cambiais no início dos programas. Isso não está presente nas negociações que estamos tendo", disse Pesce na conferência anual da União Industrial Argentina (UIA), maior entidade patronal do país.

Pesce argumentou que correções desse tipo causam unicamente "aceleração inflacionária".

A Argentina vem negociando desde o ano passado com o FMI para refinanciar uma dívida de US$ 43,3 bilhões derivada de um acordo de ajuda financeira assinado em 2018 entre a organização e o então governo de Mauricio Macri (2015-2019).

Segundo aquele pacto, o país deveria pagar ao FMI, entre capital e juros, US$ 19,02 bilhões em 2022, US$ 19,27 bilhões em 2023 e US$ 4,856 bilhões em 2024, compromissos que o governo de Alberto Fernández alega não estar em condições de cumprir devido à situação macroeconômica argentina.

Pesce argumentou que a Argentina não está "lidando com a lógica do FMI dos anos 80, onde as demandas eram recessivas a fim de gerar excedentes na balança comercial".

"Agora há uma compreensão dos problemas da pobreza em nosso país e que qualquer processo de recessão traria sérios problemas sociais e políticos à nossa economia", afirmou.

Pesce alegou que a Argentina, cujo PIB caiu 9,9% em 2020, sempre "surpreende", já que para este ano foi projetado um crescimento de 7%, mas que por fim será de 9% a 10%.

CRESCENDO PARA PAGAR.

Também presente no evento, o chefe de gabinete do governo argentino, Juan Manzur, garantiu que o problema da dívida será resolvido.

"Nós queremos pagar. A Argentina quer pagar. A única coisa que pedimos é uma única condição: que eles nos permitam crescer para poder pagar. Não tenho dúvidas de que chegaremos a um acordo e será o melhor acordo possível para o povo argentino", disse.

Autoridades do Ministério da Economia e do Banco Central da Argentina viajarão para Washington no próximo sábado para mais uma reunião com representantes do FMI.

O governo planeja enviar um projeto de lei ao Parlamento ainda neste mês com os entendimentos que obteve com a instituição. EFE