EFEBuenos Aires

Os preços para o consumidor na Argentina subiram 2,7% em junho em comparação com o mês anterior, deixando a inflação em 55,8% em termos anuais, o que vislumbra uma leve desaceleração da mesma após os fortes aumentos registrados nos últimos meses, que foram influenciados pela desvalorização do peso iniciada em 2018.

Segundo o relatório mensal do Instituto Nacional de Estatística e Censos (Indec) da Argentina divulgado nesta terça-feira, os preços acumularam um aumento de 22,4% nos seis primeiros meses de 2019, após o crescimento mensal de 3,1% registrado em maio, quando o dado anualizado foi de 57,3%.

Em junho, os bens tiveram uma variação positiva de 2,7% em comparação com o mês anterior, enquanto os serviços tiveram o mesmo aumento, dados que chegam a 22,8% e a 21,8% respectivamente, em comparação com o mesmo período de 2018, ano em que a inflação acumulou 47,6%, o nível mais alto desde 1991.

Após mais de um ano recessão econômica, os dados apresentados hoje são os últimos antes das eleições primárias de 11 de agosto, nas quais serão habilitadas as listas que concorrerão nas eleições presidenciais e legislativas de 27 de outubro.

A Lei de Orçamento promovida pelo governo de Mauricio Macri - que concorrerá à reeleição - previa uma inflação anual de 23% para 2019, um número que quase foi alcançado apenas no primeiro semestre.

Não obstante, em 2 de julho os analistas que o Banco Central argentino consulta mensalmente para seu relatório de expectativas de mercado situaram em 40% a previsão de inflação para todo o ano e em 27% para 2020.

A projeção sobre a evolução dos preços no varejo caiu 0,3 pontos percentuais a respeito da pesquisa anterior, realizada em maio.

A isso se soma o fato de o Fundo Monetário Internacional (FMI), com quem o governo argentino assinou em 2018 um empréstimo milionário, piorou ontem as previsões econômicas para o país, com uma retração de 1,3% este ano e um crescimento de 1,1% em 2020, enquanto a inflação fechará 2019 em 40%, acima dos 30,5% que a organização calculava há três meses.