EFEWashington

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou nesta quarta-feira que o recuo da China nas negociações comerciais entre os dois países se deve a uma suposta expectativa do gigante asiático de voltar a tratar o tema com algum político do Partido Democrata em caso de vitória nas eleições presidenciais de 2020, mas confirmou que o vice-primeiro-ministro Liu He irá a Washington nesta semana para buscar uma solução para o tema.

"A razão do recuo e a tentativa de renegociação do Acordo Comercial é a sincera esperança de que serão capazes de negociar com Joe Biden ou um dos muito fracos democratas, e assim continuar enganando os EUA (US$ 500 bilhões por ano) no futuro", disse Trump no Twitter e mencionando um dos principais candidatos democratas a enfrentá-lo no pleito de 2020.

"Porém, sabem que isso não vai acontecer! A China acaba de me informar que eles (por meio do vice-primeiro-ministro) estão a caminho dos EUA para conseguir um acordo", acrescentou.

Com apenas dois tweets no domingo ameaçando a China com a imposição de novas taxas a produtos do país asiático, após uma trégua comercial de mais de seis meses, Trump provocou quedas generalizadas nos mercados internacionais e afastou a possibilidade de um fim a curto prazo para a disputa entre as duas maiores economias mundiais.

"Durante dez meses a China pagou tarifas aos EUA de 25% sobre US$ 50 bilhões em bens tecnológicos, e de 10% sobre US$ 200 bilhões em outros bens (...). Os de 10% subirão para 25% na sexta-feira", afirmou Trump na ocasião.

A inesperada advertência elevou novamente a tensão entre os dois países, e a China chegou a especular a possibilidade de suspender a viagem de Liu a Washington, prevista para esta semana.

Nesta quarta-feira, Trump mostrou-se moderadamente otimista.

"Vamos ver, estou muito satisfeito com os mais de US$ 100 bilhões por ano em tarifas que enchem os cofres dos EUA. Bom para os EUA, nem tanto para a China!", concluiu.

Na capital americana, Liu terá reuniões com o chefe negociador americano, o Representante de Comércio Exterior, Robert Lighthizer, assim como com o secretário do Tesouro, Steven Mnuchin.

No fim do ano passado, Trump alertou que, se não for obtido um acordo com a China antes de 1º de março, elevaria dos 10% atuais para 25% as tarifas que os EUA aplicam a US$ bilhões em importações de produtos do país asiático. No entanto, ele optou por prorrogar o prazo para dar margem às negociações em andamento.

Desde dezembro, a China adotou medidas de boa vontade, como a redução de tarifas sobre veículos importados dos EUA, o reatamento da compra de soja e a apresentação de um projeto de lei para proibir a transferência forçada de tecnologia.

Mas, como condição para não aumentar as sobretaxas aplicadas à China, que afetam desde produtos têxteis e alimentos até combustíveis, Washington queria também que Pequim se comprometesse a realizar mudanças estruturais em sua economia para, entre outros fatores, proteger a propriedade intelectual das empresas americanas.