EFEPequim

A primeira rodada de negociações frente a frente entre representantes da China e dos Estados Unidos para acabar com a guerra comercial entre ambos os países terminou nesta quarta-feira em Pequim e foi "levada muito a sério", de acordo com o porta-voz do Ministério das Relações Exteriores

"As negociações comerciais entre os Estados Unidos e a China acabam dos terminar. Se os resultados forem positivos, será benéfico tanto para a China como para os Estados Unidos e será uma boa notícia para a economia mundial", disse o porta-voz do Ministério das Relações Exteriores chinês Lu Kang em entrevista coletiva.

Apesar de a princípio a reunião estar prevista para os dias 7 e 8, as negociações continuaram ontem e ambas as partes decidiram prolongá-las por mais um dia.

"Só posso dizer que o fato de as conversas terem se prolongado demonstra que as duas partes levaram muito a sério", apontou o porta-voz.

No entanto, Lu não falou dos resultados do encontro e nem deu detalhes se haverão outras conversas no futuro.

Analistas citados pelo jornal oficial "Global Times" apontaram hoje que a prorrogação mostra a "vontade" das equipes negociadoras de alcançar um acordo.

"As conversas foram boas", disse hoje em Pequim o subsecretário americano de Comércio e Assuntos Agrícolas do Exterior Ted McKinney, em declarações ao jornal "South China Morning Post".

Trata-se da primeira reunião frente a frente entre representantes de ambos os países desde que o presidente da China, Xi Jinping, e o dos Estados Unidos, Donald Trump, acordaram em 1 de dezembro uma trégua de 90 dias, o que significa que o prazo para fechar um pacto comercial definitivo expira em 1 de março.

A delegação americana, liderada pelo representante de Comércio Exterior adjunto, Jeffrey Gerrish, também contou com membros de outros departamentos como Energia, Agricultura e Tesouro.

Por sua vez, a delegação chinesa foi liderada pelo vice-ministro de Comércio, Wang Shouwen, embora o vice-primeiro-ministro Liu He, um dos principais assessores econômicos de Xi, tenha participado de uma das reuniões mantidas na segunda-feira, confirmou Lu.

Desde a trégua entre Pequim e Washington do último dia 1, a China adotou várias medidas de boa vontade, como a redução de tarifas aos veículos importados dos EUA, o reatamento da compra de soja desse país e a apresentação de um projeto de lei para proibir a transferência forçada de tecnologia.

Por sua vez, Trump suspendeu de maneira temporária o aumento de 10% para 25% das tarifas a produtos chineses no valor de US$ 200 bilhões, mas alertou que seguirá adiante com seu plano se não houver um acordo comercial antes do citado prazo de 90 dias.