EFEWashington

A economia da Ucrânia pode se contrair até 35% neste ano devido à migração em massa e à destruição de sua capacidade produtiva, advertiu nesta segunda-feira o Fundo Monetário Internacional (FMI).

A instituição financeira divulgou estas previsões no novo relatório sobre o estado da economia ucraniana, no qual reconhece a "enorme incerteza".

"Espera-se que a economia (ucraniana) sofra uma profunda recessão neste ano", diz o relatório, citando, entre outros pontos, uma forte contração da demanda e complicações nas cadeias de abastecimento.

Caso a guerra termine no curto prazo, as estimativas do Fundo apontam para uma queda de 10% do produto interno bruto (PIB) neste ano, "no mínimo".

Entretanto, advertiu que com um "conflito prolongado" a contração anual na Ucrânia pode ser muito maior, entre 25% e 35%, algo já visto em outros países envolvidos em guerras recentes, como Síria e o Iêmen.

"Uma crescente perda de capital físico e uma migração em massa poderia resultar em uma contração ainda mais significativa, com um colapso dos fluxos comerciais, uma nova diminuição da capacidade de cobrança de impostos, e uma maior deterioração da sua posição fiscal e externa", afirmou.

O Conselho Executivo do FMI aprovou na semana passada o saque de US$ 1,4 bilhão em ajuda de emergência à Ucrânia.

O montante aprovado pelo FMI corresponde ao montante solicitado pelo governo ucraniano e visa "atenuar o impacto econômico" do conflito iniciado na Rússia.

Os refugiados que fugiram da Ucrânia desde o início da guerra, em 24 de fevereiro, são agora 2,8 milhões, dos quais mais da metade (1,7 milhão) chegaram à vizinha Polônia, de acordo com números atualizados diariamente pela Agência das Nações Unidas para os Refugiados (Acnur).

Os demais vizinhos da Ucrânia continuam a receber este afluxo de refugiados, incluindo 255.000 na Hungria e 204.000 na Eslováquia, em conflito que também já resultou em mais de dois milhões de deslocados internos. EFE