EFEBuenos Aires

Empresas americanas que têm operações na Argentina questionaram nesta segunda-feira a recente decisão do governo de Alberto Fernández de retroagir os preços de alimentos e outros produtos de consumo em massa ao patamar de 1º de outubro e congelá-los por três meses.

A Câmara de Comércio dos Estados Unidos na Argentina (AmCham) expressou em um comunicado sua "preocupação com receitas artificiais para o controle da escalada da inflação".

Na terça-feira da semana passada, o Ministério do Comércio Interior da Argentina, após chegar a um consenso parcial com os produtores de alimentos, decidiu congelar os preços de 1.500 produtos de consumo em massa por três meses, a fim de conter a inflação, um dos principais problemas macroeconômicos do país.

De acordo com os últimos dados oficiais disponíveis, a inflação persistentemente alta da Argentina aumentou 52,5% em setembro em relação ao mesmo mês no ano anterior e acumulou um avanço de 37% nos primeiros nove meses de 2021.

Para as empresas americanas, a medida adotada na semana passada não ajuda na luta contra a inflação, mas, pelo contrário, pode se tornar uma "bomba relógio" que provoque "um nível de preços mais alto quando a medida terminar".

As empresas disseram que suas propostas não foram levadas em consideração no diálogo da semana passada com o Ministério do Comércio Interior e criticaram "a falta de vontade por parte das autoridades de fazer um acordo equitativo que seja apropriado à realidade das empresas".

"A AmCham tem repetidamente apontado os riscos apresentados por tais políticas: elas tornam impossível criar novos empregos, limitar novos investimentos e criar um ambiente regulatório hostil, restritivo e imprevisível", diz o comunicado. EFE