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A Espanha registrou nesta quarta-feira o preço médio da eletricidade mais caro da história do país, após vários meses de alta e de um aumento em combustíveis como gasolina e diesel, o que pode prejudicar a recém-iniciada recuperação da crise desencadeada pela pandemia de covid-19.

Em um momento em que muitas famílias sofrem com as consequências socioeconômicas da pandemia, os preços da energia, da habitação e de alguns alimentos fazem com que a inflação interanual espanhola se mantenha em 2,7%, a taxa mais elevada em quatro anos.

Até junho, a eletricidade aumentou 37,1% no último ano. Para amenizar a conta de luz paga pelos consumidores, o governo reduziu neste mês o imposto sobre valor agregado (IVA) de 21% para 10%.

No entanto, o preço médio da eletricidade continua disparado no atacado e nesta quarta-feira alcançará uma média de 106,57 euros/megawatt-hora (MWh), 4,6% a mais do que na véspera, com uma máxima que chegará a 110,64 euros/MWh, segundo o Operador do Mercado Ibérrico da Eletricidade (OMIE).

As altas e baixas da luz afetam os mais de dez milhões de consumidores da tarifa regulada, enquanto 17 milhões têm acordado um preço fixo o ano todo.

O aumento dos preços da eletricidade no mercado atacado levanta mais uma vez o debate sobre o seu funcionamento, já que as fontes mais baratas cobram o mesmo preço que as mais caras.

As altas são alimentadas pelos preços elevados do gás nos mercados internacionais e pelas licenças de emissão de CO2. Além disso, as centrais elétricas sem emissões de poluentes estão aproximando os preços da oferta dos valores das centrais de ciclo combinado, que consomem gás e pagam licenças de emissão de CO2.

À espera de futuras reformas, os preços do gás e da eletricidade e os direitos de emissão de CO2 continuarão aumentando no médio prazo, segundo a ministra da Transição Ecológica, Teresa Ribera, e o ministro do Consumo, Alberto Garzón.

O aumento dos preços da eletricidade também é motivo habitual de embate político entre o governo e a oposição. Neste caso, os conservadores criticam o governo, liderado pelo socialista Pedro Sánchez, por ser "impassível" diante dos preços. EFE

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