EFEParis

A França impôs três condições ambientais, sanitárias e de salvaguarda ao acordo comercial entre a União Europeia (UE) e o Mercosul e ressaltou que devem ser resolvidas imperativamente nos próximos meses antes de dar seu sinal verde ao pacto.

"São elementos indispensáveis para a continuação da discussão e esses obstáculos devem ser superados" antes da votação por unanimidade dos líderes da UE no início de 2020, afirmou nesta quarta-feira a porta-voz do governo francês, Sibeth Ndiaye, em entrevista coletiva.

Ndiaye relatou que, após receber os documentos do compromisso alcançado no final de junho entre a Comissão Europeia e os negociadores do Mercosul, Paris considera que os textos "não são suficientemente sólidos" para garantir as condições ambientais.

Em particular, lembrou que para a França é imperativo que em qualquer acordo comercial a outra parte respeite o Acordo de Paris sobre mudança climática.

O segundo ponto se refere aos meios para que se respeitem as normas sanitárias europeias, não só nos produtos que possam ser importados à UE, mas também nos procedimentos para sua fabricação.

Segundo o ministro da Ecologia francês, François de Rugy, seria necessário para tanto que houvesse inspetores europeus nos países do Mercosul para fazer verificações no terreno.

Por último, a França quer ter precisões sobre a ativação das cláusulas de salvaguarda para aqueles que considera serem "setores sensíveis" que, como o da carne bovina, poderiam ser transtornados pela chegada de exportações do Mercosul.

A França vai iniciar nos próximos dias uma comissão de avaliação sobre o impacto previsível do acordo UE-Mercosul sobre sua economia.

O texto pactuado no mês passado deve ser finalizado ainda no outono europeu para que possa ser validado por um Conselho de Ministros da UE no final do ano e depois pelos líderes dos países-membros no início de 2020.

A partir de então entraria em andamento o trâmite para a aprovação pelo Parlamento Europeu e pelos parlamentos dos Estados da UE.