EFEPequim

O fundador e conselheiro delegado da gigante de telecomunicações chinesa Huawei, Ren Zhengfei, disse nesta quarta-feira que a empresa vive um problema por conseguir aumentar as vendas apesar das suspeitas de vários países sobre a segurança de seus dispositivos.

Em entrevista na sede da companhia em Shenzhen, no sudeste da china, Ren disse que as vendas chegaram a entre 240 milhões e 250 milhões de unidades em 2019, melhor que as 200 milhões de todo o ano de 2018.

Os números seriam vistos com satisfação por qualquer empresa, mas se tornou problema porque, devido a punições do governo dos Estados Unidos, a empresa não pode contar com o sistema operativo Android, do Google.

"A pior situação possível é a que temos agora. Podemos sobreviver, mas não é o que buscamos. Não temos a intenção, nem mesmo o apoio, de fazer tudo, todas as invenções, nós mesmos. Não é nossa estratégia a longo prazo", declarou o fundador da gigante de telecomunicações.

Ren não escondeu a preocupação com o presente da empresa, mas acredita que é possível reverter a situação. "Temos que abrandar um pouco os nossos negócios no resto do mundo, especialmente quanto aos smartphones, mas temos uma boa base para resistir à aplicação de sanções", disse.

O fundador da empresa acusou os Estados Unidos de partir para outros países e fazer lobby para que eles não comprem equipamentos da Huawei, mas ressaltou que estes continuam comprando da Huawei. "Embora os EUA sejam poderosos, a confiança do cliente é ainda mais", destacou o empresário, que se conformou quanto à supremacia tecnológica dos americanos: "É como o Monte Everest, e a China talvez esteja atrás, aos pés do Everest", comparou.

O fundador ainda se defendeu das dúvidas em torno da segurança dos dispositivos da Huawei e as acusações de que a China os usa para espionar. "Somos apenas um vendedor de equipamentos. Nossa responsabilidade é garantir que nossos equipamentos estão livres desses problemas. Estamos dispostos a adquirir esse compromisso com governos de todo o mundo", salientou.

Por fim, Ren respondeu em tom de brincadeira ao ser perguntado por que não se reúne com o presidente dos EUA, Donald Trump, para tratar a situação da companhia.

"Não tenho um canal de comunicação com ele, não tenho o seu número de telefone. Eu me reuniria com ele, sem dúvida. Ele tem aviões particulares e pode vir à China a qualquer momento, mas meu avião é de papel, e se chover pode cair", afirmou.