EFENova York

O Fundo Aurelius, uma das entidades que abriram em Nova York um processo contra a Argentina exigindo o pagamento de dívida em moratória, negou nesta terça-feira estar por trás de uma denúncia contra a Petrobras, em resposta a declarações feitas pelo governo argentino neste sentido.

"Tal como ficaria demonstrado com uma simples comprovação, esse processo foi apresentado pela cidade de Providence (EUA). O Aurelius não tem nada a ver com essa denúncia", disse em comunicado o presidente do fundo especulativo, Mark Brodsky.

O ministro da Economia da Argentina, Axel Kicillof, denunciou neste fim de semana um "ataque simultâneo" dos fundos abutres contra determinados "processos políticos" da região, e citou o litígio pela dívida argentina e o processo contra a Petrobras.

Segundo Brodsky, a denúncia, na qual se acusa a Petrobras de falsificação de informação contábil em um tribunal de Providence (Rhode Island), "é uma extensão de uma investigação criminal realizada pelo governo brasileiro".

"Kicillof presta um desserviço ao Brasil e a Petrobras ao equiparar as dificuldades da Petrobras com as da Argentina. Ao contrário da Argentina, a Petrobras segue pagando suas dívidas e não viola de forma flagrante as ordens de um tribunal dos Estados Unidos", acrescentou.

O ministro disse neste sábado que o fundo, como proprietário de bônus emitidos pela Petrobras, "pediu a 'aceleração' dos bônus (sua amortização adiantada, com juros), o que equivale a levar a 'default' a companhia petrolífera brasileira".

"Vemos como os mesmos atores, Aurelius concretamente, aparecem atacando o Brasil. Estes episódios vão ficar nos anais de como se desenvolve uma guerra sem armas, no terreno judicial e com objetivos políticos", disse Kicillof ao jornal "Página/12".

O governo de Cristina Kirchner defendeu ontem sua intenção de não cumprir a sentença do juiz nova-iorquino Thomas Griesa, que obriga o país a desembolsar US$ 1,3 bilhão mais juros para fundos querelantes por dívida em moratória desde 2001.