EFECidade do Panamá

A sustentabilidade está ganhando cada vez mais força na América Latina, e por isso "o futuro será sustentável ou não chegará", ao atingir todas as arestas do desenvolvimento econômico na região, segundo especialistas que participam da Semana da Sustentabilidade, organizada pelo BID Invest.

"A sustentabilidade transborda a questão financeira. Por sustentáveis quero dizer que os projetos nos quais trabalhamos devem ser sustentáveis a longo prazo. E há um infinidades de arestas: sociais, ambientais, de governança", explicou James Scriven, diretor-gerente do BID Invest em entrevista à Agência Efe.

Scriven participou da abertura da Semana da Sustentabilidade, grande fórum regional organizado anualmente pela organização e cuja edição de 2019 teve início nesta segunda-feira no Panamá.

Alberto Alemán, ex-administrador do canal do Panamá e que foi um dos que discursaram no evento, ressaltou que o ambicioso projeto para ampliar o icônico canal e aumentar o calado dos navios que o atravessam exigiu este enfoque polifacético.

"O que é o canal? Uma empresa de administração de água, por isso o grande risco, justamente, era a degradação da bacia hidrográfica", disse.

Alemán destacou que foi essencial para o sucesso do projeto incluir na comissão de tomada de decisões também as comunidades vizinhas e que são afetadas por uma obra desta magnitude.

O fórum pretende ser uma "plataforma de negócios" e "intercâmbios de experiências" para encarar os grandes desafios de desenvolvimento na América Latina. Esta edição, que aconteceará até sexta-feira, reúne 650 participantes, com mais de 30 países representados e 130 executivos-chefes para analisar questões em setores como infraestrutura, turismo, mercados de capitais e governança corporativa.

O encontro conta com representantes de fundos de investimento como Pimco e Brookfield, bancos como HSBC, BNP Paribas e Banco Pichincha, entre outros, além de representantes acadêmicos e institucionais.

Entre os temas que atraíram mais atenção está o das emissões de bônus verdes e sociais, que cada vez mais estão crescendo na América Latina e no Caribe, e os chamados empréstimos indexados à sustentabilidade.

Rachel Robboy, chefe de risco do BID Invest, ressaltou que os riscos relacionados com eventos de clima extremo, cada vez mais frequentes, têm consequências além de setores afetados diretamente.

"Todo risco não financeiro acaba sendo também um risco de crédito", explicou.

Por isso, ela apontou que "os futuros desafios de desenvolvimento não serão resolvidos somente com dinheiro".

Os fatores não financeiros são em muitos casos mais determinantes para o sucesso dos projetos do que os financeiros, de acordo com os especialistas, já que dão mais certeza aos investidores, o que permite diminuir as diferenças de financiamento.

O banco Santander Brasil, neste sentido, citou que as secas, cada vez mais graves na região, poderiam afetar a capacidade dos devedores de quitar empréstimos.

O planejamento é fundamental, portanto, para encarar a eficiência a longo prazo destes projetos.

Este é o caso do Waze, que a cada dia, graças a um convênio com o BID Invest, compartilha em tempo real dados sobre condições de tráfego que constam em sua plataforma para assim ajudar no planejamento e no investimento dos sistemas de transporte e reduzir congestionamentos, um projeto do qual está participando a empresa Autopistas Urbanas (AUSA) na Argentina.

O BID Invest, que integra o Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID), é um banco multilateral de desenvolvimento comprometido a promover o desenvolvimento econômico de seus países-membros através do setor privado, e conta atualmente com mais de US$ 12,1 bilhões em ativos sob sua administração.

Alfonso Fernández.