EFEBuenos Aires

A inflação na Argentina disparou para 4% em agosto, período em que os preços ao consumidor foram afetados pela forte alta do dólar, uma das consequências da crise financeira que abala o país, agravada ainda mais após o resultado das eleições primárias em agosto, que sinalizaram uma grande possibilidade de o presidente Mauricio Macri não conseguir se reeleger em outubro.

De acordo com informações divulgadas nesta quinta-feira pelo Instituto Nacional de Estatística e Pesquisas da Argentina, a inflação nos últimos 12 meses alcançou a marca de 54,5%, e a de janeiro até agosto de 2019 acumula alta de 30%.

A alta dos preços de 4% em relação a julho quebra uma tendência de desaceleração da inflação mensal iniciada em abril. Em julho, por exemplo, a subida foi de 2,2% na comparação com junho.

Os dados oficiais divulgados hoje mostram que os preços dos alimentos e das bebidas não-alcoólicas tiveram aumento de 4,5%.

A crise econômica da Argentina se agravou depois da eleição primária para presidente, realizada em 11 de agosto. Macri obteve 31,79% dos votos, 16 pontos percentuais a menos que o peronista Alberto Fernández, que tem como candidata a vice a ex-presidente Cristina Kirchner.

A chapa de oposição é apontada como favorita ao pleito do dia 27 de outubro.

A reação adversa dos investidores ao resultado das primárias resultou em forte alta do preço do dólar no câmbio oficial, de 27,8% acumulada em agosto, o que se refletiu rapidamente em outros setores da economia.

Macri, para tentar amenizar os efeitos da crise, anunciou medidas como congelamento temporário de preços dos combustíveis - que influi nos custos de produção e transporte - e eliminação do imposto sobre o valor agregado (IVA) para alguns itens da cesta básica.

De acordo com um relatório da empresa de consultoria Ecolatina, esta última medida permitiu que os alimentos abrangidos pela medida sofressem redução de 0,8%, e os demais, que seguem com o IVA, tiveram alta de 7,5%.

No ano passado, os preços ao consumidor acumularam aumento de 47,6%, o patamar mais alto desde 1991, mas a marca deve ser superada em 2019. Em setembro, de acordo com analistas que são consultados mês a mês pelo banco central para a elaboração de um relatório de previsões, a inflação deve chegar a 5,8%, e em outubro deverá ficar em torno de 4,3%.

Embora o índice deva cair para 3,4% em dezembro, o ano terminaria com inflação acumulada de 55%, mais do que o dobro da meta incluída no orçamento estatal deste ano. Para o ano que vem, as expectativas atuais dos especialistas é de 38% de alta.

A altda dos preços na Argentina acontece em meio a um contexto de recessão econômica. Nas ruas, manifestações populares contra o governo se repetem, e funcionários públicos entraram em greve por melhores salários.

Macri, em discurso feito hoje, garantiu que a "incerteza" com relação a economia é vivida desde a divulgação do resultado das primárias, que segundo ele impacta a macroeconomia e os preços.

"(A incerteza no cenário político) gerou impacto no bolso de muitas famílias, que têm cada vez mais dificuldades para chegar ao fim do mês. No governo, desde o primeiro momento, temos nos preocupado com essa situação e estamos tomando medidas para levar tranquilidade e estabilidade", declarou.

Natalia Kidd.