EFEFrankfurt (Alemanha)

A presidente do Banco Central Europeu (BCE), Christine Lagarde, advertiu nesta quinta-feira que a variante Delta do novo coronavírus - inicialmente identificada na Índia - "pode ser um obstáculo à recuperação dos serviços, do turismo e da hospitalidade".

Após reunião do Conselho de Governo, Lagarde disse, em entrevista coletiva virtual, que a economia está se recuperando, mas que essa retomada dependerá da evolução da pandemia de covid-19 e do avanço da vacinação. A economista francesa enfatizou que o atual aumento da inflação é "transitório".

"A recuperação da economia na zona euro está em andamento. Cada vez mais pessoas estão sendo vacinadas e as medidas de confinamento têm sido relaxadas na maioria dos países. Mas a pandemia continua a fazer uma sombra, especialmente porque a variante Delta constitui uma fonte crescente de incerteza", de acordo com Lagarde.

"A inflação subiu, mas a expectativa é que este aumento seja temporário. As perspectivas de inflação no médio prazo permanecem contidas", de acordo com Lagarde.

O BCE espera que as suas taxas de juros "permaneçam no nível atual ou mais baixas até que a inflação alcance 2%".

"Isto também pode implicar um período transitório em que a inflação seja moderadamente mais elevada" do que 2% antes de decidir agir, comentou a economista.

Desta forma, o BCE dá a entender que está disposto a deixar as taxas de juro muito baixas por mais tempo, embora Lagarde tenha explicado que não são realmente taxas baixas por mais tempo, mas que o objetivo é não restringir a política monetária prematuramente, como aconteceu no passado.

Lagarde se referiu assim ao aumento das taxas de juros que o BCE, sob a presidência de Jean-Claude Trichet, empreendeu em julho de 2008, pouco antes do início do pior da crise financeira, e a outra alta em abril de 2011, no auge da crise da dívida soberana na região.