EFEBuenos Aires

O presidente da Argentina, Mauricio Macri, prometeu nesta segunda-feira adotar medidas econômicas para reverter a forte desvalorização do peso registrada após a derrota do governo nas eleições primárias realizadas ontem no país.

Em entrevista coletiva concedida após reunião com seus ministros, Macri culpou seu principal adversário no pleito, Alberto Fernández, companheiro de chapa da ex-presidente Cristina Kirchner, pela reação adversa aos resultados do pleito no mercado financeiro e disse que falta aos seus opositores "credibilidade no mundo".

Fernández, da coalizão Frente de Todos, venceu as primárias com uma vantagem de 15 pontos percentuais para Macri, que tenta a reeleição. A magnitude da derrota do atual presidente, visto como pró-mercado, provocou pânico no mercado financeiro, fez o peso argentino desabar frente ao dólar e colocou o risco-país nas alturas.

"Hoje é um dia muito ruim. Hoje estamos mais pobres do que antes das primárias", disse Macri, enquanto o índice Merval, das principais ações da Bolsa de Comércio de Buenos Aires, registrava queda de quase 38%, uma das maiores da história.

Macri disse que a vitória da oposição mostra uma "bronca acumulada" dos argentinos com a crise da economia, uma situação em parte provocada, segundo ele, pela "difícil herança" deixada pelos dois sucessores no cargo, Cristina e Néstor Kirchner.

Apesar das críticas aos opositores, Macri prometeu que trabalhará para recuperar a economia do país e conquistar os votos necessários para forçar um segundo turno.

"Vamos reverter essa eleição ruim de ontem e transformá-la em uma eleição melhor que nos leve ao segundo turno em novembro", afirmou.

Fernández obteve 47,65% dos votos nas primárias de ontem, com 15 pontos percentuais de vantagem para Macri. Caso repita o desempenho no próximo dia 27 de outubro, o candidato opositor será eleito em primeiro turno.

Sobre a reação do mercado financeiro, Macri afirmou que Fernández não tem credibilidade com os atores econômicos locais e estrangeiros.

Para provar seu ponto, o presidente fez uma comparação com o desempenho da Bolsa de Comércio de Buenos Aires na sexta-feira, quando pesquisas divulgadas no país indicavam que o governo teria bons resultados nas primárias.

"A alternativa kirchnerista não tem credibilidade no mundo, não gera a confiança necessária para que as pessoas queiram vir investir no país. Eles já governaram e têm que provar que farão algo diferente do que fizeram antes", afirmou Macri.

Macri descartou mudanças no governo visando as eleições e afirmou tomará medidas para que o processo eleitoral não "castigue ainda mais" os argentinos. No entanto, o presidente evitou dar detalhes sobre as medidas que estão sendo estudadas por ele e sua equipe.