EFEParis

O presidente da França, Emmanuel Macron, pretendia anunciar uma série de medidas em favor da classe média, em particular uma redução de impostos, em um pronunciamento que faria em rede nacional de televisão, mas que foi adiado devido ao incêndio que devastou parte da catedral de Notre-Dame, em Paris.

O Palácio do Eliseu negou-se a comentar o conteúdo do discurso, que vazou em vários veículos da imprensa francesa. Um porta-voz do governo limitou-se a dizer que não há uma nova data para o pronunciamento de Macron.

A principal medida que seria anunciada pelo presidente, segundo a emissora de rádio "France Info", era o fim de uma série de isenções que beneficiam contribuintes ricos para financiar uma redução do imposto sobre a renda para a classe média. O governo também se comprometeria a diminuir os gastos públicos para bancar a queda na arrecadação.

O pronunciamento era uma estratégia de Macron para concluir o debate nacional que ele mesmo lançou há três meses para responder à crise provocada pelos protestos dos "coletes amarelos".

Outra das propostas que seria anunciada no discurso cancelado é a indexação de aposentadorias menores que 2 mil euros à inflação.

A medida era uma mensagem direta aos aposentados de baixa renda, que votaram em peso em Macron nas eleições presidenciais de 2017, mas sentem que foram prejudicados pelo governo.

O orçamento de 2019 previa um aumento de 0,3% para a Previdência, muito abaixo da previsão da inflação, que deve ficar em 1,6%.

O pacote de Macron também incluía medidas para agradar os moradores das zonas rurais, que também passaram a integrar o movimento dos "coletes amarelos". No discurso, o presidente se comprometeria a não fechar mais escolas e hospitais distantes das capitais até o fim do mandato.