EFESanta Fé (Argentina)

Os ministros da Fazenda e os presidentes dos bancos centrais do Mercosul decidiram nesta quarta-feira solicitar ao Grupo de Monitoramento Macroeconômico do bloco uma análise técnica para avaliar a possibilidade de os países-membros terem uma moeda comum no longo prazo.

"Decidimos fazer um trabalho entre os países que compõem o Mercosul sobre as vantagens potenciais de uma moeda comum", assinalou o ministro da Fazenda da Argentina, Nicolás Dujovne.

Em entrevista coletiva após a reunião ministerial realizada na cidade argentina de Santa Fé, Dujovne disse que o grupo avaliará "se o Mercosul, como está hoje, constitui uma área monetária capaz de ter uma moeda comum".

Também serão estudados quais deveriam ser os passos adotados para que essa eventual moeda comum entre em circulação.

"Sabemos que este é um projeto de longo prazo. O primeiro passo é realizar um estudo bem aprofundado sobre quais condições devem ser cumpridas antes, em termos macroeconômicos, pelos países que compõem o Mercosul para podermos chegar a concretizar esse projeto que nos parece muito interessante", explicou o ministro argentino.

O grupo técnico ainda ficará encarregado de medir o impacto econômico específico de cada um dos acordos de comércio assinados ou sob negociação do Mercosul, incluindo o recentemente selado com a União Europeia (UE).

Será analisado o quanto esses acordos contribuem em termos de aumento potencial do Produto Interno Bruto (PIB) e seu impacto microeconômico sobre a competitividade de cada um os setores.

"Agora já conhecemos os detalhes finais do acordo com a UE e podemos medi-lo de maneira muito concreta", afirmou Dujovne.

O Grupo de Monitoramento Macroeconômico elaborará um "ranking" de projetos de infraestrutura em nível regional, para depois determinar quais deles poderiam ser levados adiante de maneira conjunta.

"Todos os nossos países têm um déficit de infraestrutura muito grande. Queremos fazer infraestrutura juntos, então necessitamos fazer um ranking de onde vamos colocar as prioridades", detalhou o ministro de Fazenda da Argentina, país que preside o bloco até hoje.

Também será solicitada uma análise do esquema tributário vigente em cada um dos países para determinar as chances de avançar em uma maior homogeneização dos sistemas tributários.

A pedido do Brasil, o grupo técnico analisará o estado da situação demográfica do Mercosul para "avaliar a sustentabilidade previsional dos sistemas da região", informou Dujovne.

A reunião ministerial foi realizada horas antes da cúpula de chefes de Estado do Mercosul, na qual o argentino Mauricio Macri passará a presidência semestral do bloco a Jair Bolsonaro.