EFEBerlim

A fabricante americana do herbicida glifosato e de sementes transgênicas Monsanto tinha um arquivo de pessoas críticas às atividades da empresa em pelo menos sete países da União Europeia, informou nesta terça-feira o grupo Bayer.

"A agência Fleishman Hillard estabeleceu para a Monsanto listas na França, Alemanha, Itália, Holanda, Polônia, Espanha e Reino Unido, além de personalidades relacionadas com as instituições europeias", afirmou a Bayer em comunicado.

O grupo alemão acrescentou que encomendou ao escritório de advogados Sidley Austin uma investigação "independente e exaustiva", na qual "continuará analisando esta questão por encomenda da Bayer para determinar se outros países também foram listados com partes interessadas".

Está previsto que o escritório entre em contato com as pessoas das listas - "principalmente jornalistas, políticos e outros grupos de interesse" - "em um futuro próximo, no mais tardar no final da semana que vem", para informá-las detalhadamente sobre o tipo de informação recolhida, informou a Bayer.

De acordo com a empresa, após saber da existência das listas, foi suspensa a cooperação com a agência FleishmanHillard no âmbito da comunicação e das relações públicas, enquanto os projetos de marketing foram mantidos por enquanto.

A existência de uma lista na França com pessoas críticas à Monsanto - entre elas a ex-ministra de Meio Ambiente Ségolène Royal e outros 200 nomes - foi divulgada no começo de maio e o Ministério Público do país abriu uma investigação contra a fabricante por coleta ilegal de dados pessoais.

A Bayer, que disse que deve manter constantemente atualizada a informação sobre a investigação em seu site, adquiriu a Monstanto em junho de 2018 por US$ 63 bilhões.

Na semana passada, um tribunal dos Estados Unidos emitiu uma sentença contra a Monsanto obrigando a empresa a pagar US$ 2 bilhões a um casal de idosos, ao considerar que ficaram doentes por conta do agrotóxico Roundup, à base de glifosato. Essa é a terceira condenação da fabricante envolvendo esse agrotóxico desde agosto de 2018.