EFEBuenos Aires

A Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) disse nesta segunda-feira em relatório que prevê um crescimento de 6,1% para a economia da Argentina este ano, embora persistam alguns fatores que limitam a recuperação após uma queda do PIB de 9,9% em 2020.

De acordo com seu relatório de perspectivas econômicas, a OCDE também prevê uma expansão econômica de 1,8% na Argentina em 2022, o que, se realmente se concretizar, deixará a segunda maior economia sul-americana em níveis ainda inferiores aos de antes da eclosão da pandemia de Covid-19.

"Os persistentes desequilíbrios macroeconômicos e novas restrições à mobilidade vão pesar sobre a demanda doméstica e limitar a recuperação", alertou o relatório.

A OCDE observou que a Argentina enfrenta uma forte segunda onda da Covid-19 e que a vacinação "avança lentamente", o que provocou um reforço das restrições em abril e maio.

De acordo com o relatório, a expectativa é que a Argentina alcance a imunidade de rebanho apenas em 2022.

Por outro lado, a OCDE advertiu que a inflação, que está em torno de 40% ao ano, permanecerá em níveis elevados, "apesar da fraca demanda interna e do rígido controle de preços".

Além disso, destacou que problemas no mercado de trabalho estão afetando a renda das famílias, travando o consumo privado, que caiu 13,1% em 2020.

Para este ano, a recuperação do consumo privado projetada pela OCDE é de 2,2%, com um modesto avanço de 1% previsto para 2022.

A organização observou também que, embora haja uma lenta recuperação do emprego, a elevada informalidade do trabalho continuará a ser um fator de preocupação.

CENÁRIO FISCAL.

Em seu relatório, a OCDE ressaltou que o governo do presidente Alberto Fernández adotou medidas "ousadas e oportunas" para conter a pandemia e apoiar famílias e empresas.

A agência espera que os gastos relacionados à pandemia sejam eliminados gradativamente, ao mesmo tempo em que constata que receitas mais fortes, em parte relacionadas aos altos preços das matérias-primas que a Argentina exporta, ajudaram a melhorar ligeiramente os resultados fiscais, que no ano passado fechou com déficit primário de 6,5% do PIB.

"Isso reduzirá a necessidade de financiamento monetário de curto prazo", afirma o relatório, que acrescenta que "traçar um caminho de médio prazo em direção à sustentabilidade fiscal ajudaria a aumentar a confiança e fortalecer o investimento".

No entanto, a OCDE alertou que suas projeções para a Argentina podem mudar se houver uma correção desordenada dos desequilíbrios macroeconômicos do país, uma desvalorização repentina do peso argentino, uma inflação mais alta ou bloqueios prolongados da atividade econômica em decorrência do agravamento da emergência sanitária.

Por outro lado, as projeções poderiam melhorar se as campanhas de vacinação nacional e internacional avançassem em um ritmo mais acelerado ou se houvesse uma recuperação mais rápida no Brasil, onde a OCDE projeta um crescimento de 3,7% do PIB para este ano.

Para a agência, um câmbio mais competitivo na Argentina também pode impulsionar ainda mais as exportações do país.

Segundo o relatório, as exportações argentinas de bens e serviços cresceriam 6,8% neste ano e 11,3% em 2022.