EFEGenebra

A ampliação da guerra comercial entre China e Estados Unidos a todos os mercados mundiais causaria uma redução de 17% nos intercâmbios globais, advertiu nesta terça-feira o diretor-geral da Organização Mundial do Comércio (OMC), o brasileiro Roberto Azevêdo.

"No cenário de uma guerra comercial global, de uma redução completa na cooperação internacional na área do comércio, as tarifas subiriam bruscamente e veríamos uma redução dos intercâmbios de 17%", destacou Azevêdo na abertura de uma conferência econômica na sede da organização em Genebra.

O diplomata brasileiro afirmou que as tensões comerciais representam um grande risco sistêmico e que uma piora destas poderia "provocar grandes perturbações em muitas economias e sociedades que tentarão ajustar-se a esta nova realidade".

"Claramente, não podemos nos permitir ir por este caminho", advertiu o principal responsável da OMC, que acrescentou que "o comércio demonstrou ser um motor de crescimento, produtividade, inovação e criação de emprego", razões pela quais deve ser promovido.

Na conferência, que reúne economistas e políticos para buscar os sintomas e remédios das atuais tensões, Azevêdo ressaltou que "é vital mostrar flexibilidade para evitar uma fragmentação do sistema".

Azevêdo também afirmou que deve buscar-se um sistema de intercâmbios mais inclusivos e benéfico para todas as partes, e alertou que não levar em conta este aspecto "pode trazer novos problemas sociais, novas fontes de descontentamento social".