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O Panamá foi o primeiro país da América Latina e do Caribe a firmar um acordo com a Mastercard para a digitalização de pagamentos de órgãos públicos durante os próximos cinco anos, confirmou à Efe o vice-presidente de Relações Governamentais da multinacional na região, Darren Ware.

Além disso, a parceria, que faz parte da iniciativa "Digital Country Partnership" da Mastercard, tem com objetivo combater fraudes cibernéticas e promover uma maior inclusão financeira no país, necessidades que se tornaram ainda maiores durante a pandemia de covid-19.

Nesse sentido, Ware acrescentou que o projeto dará ênfase à segurança digital, infraestrutura, educação, regulamentação e crescimento financeiro inclusivo.

A ideia do acordo, assinado na semana passada pelo governo do presidente Laurentino Cortizo, é criar um ecossistema digital capaz de enfrentar os últimos desafios tecnológicos e melhorar os serviços públicos para os cidadãos.

Ware ressaltou que a empresa está trabalhando com o governo panamenho, assim como tem feito em vários outros países, para chegar até as pessoas que não possuem conta bancária, que são as "mais vulneráveis" em meio à pandemia e as que recebem os auxílios emergenciais estatais.

"Estamos trabalhando com instituições financeiras do governo do Panamá e de outros países para tentar chegar a essas pessoas, incluir mais gente no sistema financeiro através de pagamentos digitais ou cartões pré-pagos", explicou, além de lamentar que o número de pessoas desbancarizadas na América Latina seja "tão elevado".

Nos países onde a renda média é superior, 73% da população adulta tem uma conta bancária, enquanto na América Latina e no Caribe esta porcentagem é de apenas 55% - e no Panamá cai para 46%, de acordo com um estudo da Global Findex publicado em 2017.

"Todos os governos têm o desafio de chegar às pessoas de seus países que não estão bancarizadas", acrescentou Ware.

Para ele, assim como as pessoas foram forçadas a realizar e receber pagamentos de forma virtual devido à covid-19, os governos também querem migrar para este sistema tanto para distribuir benefícios sociais como para arrecadar os impostos.

"Queremos que as pessoas tenham opções para reduzir o uso de dinheiro", destacou o vice-presidente de Relações Governamentais para a América Latina e Caribe da Mastercard.

COORDENAÇÃO, A CHAVE PARA A MUDANÇA.

No entanto, Ware defendeu que o grande desafio da região e do Panamá para a transformação digital é a "coordenação" entre o governo, os cidadãos e as pequenas e médias empresas.

Se alguém tiver acesso a um cartão pré-pago para receber um auxílio governamental, isso "só resolve metade da batalha", porque depois não há negócios em seu bairro que aceitem essa forma de pagamento, segundo o executivo.

"É preciso haver uma coordenação em todos os lados da equação para poder maximizar os benefícios e ter uma abordagem realmente equilibrada", afirmou Ware, que também argumentou que as pequenas e médias empresas precisam ter condições de aceitar estas soluções de pagamento.

De acordo com ele, no último ano "as empresas mais resilientes foram aquelas capazes de aceitar pagamentos digitais, de ter uma presença on-line e de funcionar como e-commerce".

Por isso, a Mastercard disponibilizará sua plataforma de aliados digitais para micro, pequenas e médias empresas, incluindo os setores agrícola e industrial, assim como um plano de educação financeira, para garantir uma maior aceitação dos pagamentos online, mesmo em áreas remotas e de difícil acesso.

Segundo Ware, no caso do Panamá o governo tem a própria estratégia de coordenação digital.

"Eles querem reunir os diferentes ministérios nacionais e instituições financeiras nacionais para que todos trabalhem em conjunto (...) Acho que é por isso que eles também estavam interessados em trabalhar com a gente", disse.

O executivo afirmou ainda que as parcerias com países, neste caso o Panamá, refletem a força da empresa quando se trata de "coordenar múltiplas entidades para fazer algo pelo bem do cidadão e do governo"

"Os governos não podem fazer tudo sozinhos. Nós não podemos fazer tudo sozinhos. Temos de trabalhar em conjunto para desenvolver as soluções que os governos necessitam para toda a população ou para as pequenas e médias empresas", explicou Ware.

CIBERSEGURANÇA.

O acordo assinado também estabelece que a Mastercard se empenhará em trabalhar com a Autoridade para a Inovação Governamental (AIG) do Panamá para garantir segurança através do serviço de identificação pessoal Mastercard ID Digital, e para criar uma estratégia educacional para o plano nacional de cibersegurança.

Estas iniciativas tem como objetivo simplificar, padronizar e modernizar os processos governamentais.

Nesse sentido, Ware especificou os indivíduos e as empresas que acabam de ser incluídas no sistema financeiro, assim como os funcionários públicos, devem ser educados sobre a segurança das suas transações.

Como parte do acordo, a multinacional americana implementará tecnologias de pagamento em todo o setor público, incluindo transporte, turismo, comércio e desenvolvimento econômico.

Para Ware, a experiência em circulação de pessoas é muito interessante porque, uma vez que os pagamentos de metro, ônibus ou pedágios passam a ser realizados de forma digital, seja através de um telefone ou de um cartão "contactless" (tecnologia de aproximação), o passageiro vai utilizar cada vez mais isso em sua vida diária e lugares como restaurantes e lojas.

"Isso é realmente fundamental. É um acelerador, é a primeira vez que se estabelece o hábito diário para repetí-lo mais tarde ao longo do dia", concluiu.