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A pobreza no Peru disparou em 2020, chegando a 30,1% da população, o equivalente a cerca de 10 milhões de peruanos que vivem com menos de 360 sóis (cerca de R$ 515) ao mês, registrando um aumento de 9,9 pontos percentuais em relação a 2019.

Ou seja, mais de 3,2 milhões de pessoas voltaram a ser pobres durante a crise causada pela pandemia de covid-19, segundo os dados apresentados nesta sexta-feira pelo Instituto Nacional de Estatística e Informática (INEI).

Já a pobreza extrema aumentou em 2,2 pontos percentuais em relação a 2019, alcançando 5,1% da população, o equivalente a mais de 1,6 milhão de peruanos que vivem com menos de 191 sóis (R$ 273) ao mês.

Com estes dados, que indicam o maior aumento dos últimos tempos, a pandemia simbolizou um retrocesso de uma década ao Peru na luta para eliminar a pobreza, já que o país retornou aos índices de 2010, quando apresentava 30,8% de pobreza.

O crescimento da economia peruana nas últimas décadas havia permitido reduzir a pobreza de 48,6%, em 2004, para 20,2%, em 2019, mas nos últimos anos o avanço diminuiu consideravelmente com o fim do 'boom' das commodities.

Com os dados mais recentes de 2020, nos últimos cinco anos a população em situação de pobreza aumentou 8,3 pontos percentuais, e na última década caiu em 0,7.

POBREZA CRESCEU MAIS NAS CIDADES.

Em 2020, o repentino aumento da pobreza ocorreu principalmente nas cidades, onde a população urbana notou de maneira mais direta as consequências dos confinamentos e a paralisação da economia peruana, que sofreu uma recessão de 11,6%, com abril sendo o pior mês, com uma variação de -40%.

A pobreza urbana subiu 11,4 pontos percentuais, chegando a 26%, enquanto a pobreza rural cresceu 4,9, até 45,7% da população do campo.

Por sua parte, a pobreza extrema nas cidades passou de 1% para 2,9%. No âmbito rural, subiu de 9,8% para 13,7%.