EFESydney (Austrália)

Mais de 16,2 milhões de australianos estão aptos para votar nas eleições gerais deste sábado na Austrália, país que registra um crescimento econômico ininterrupto há quase 30 anos e que precisa lidar com a imigração e a mudança climática.

Estas são os cinco principais pontos das eleições:.

1.- Disputa pelo poder.

Desde 2007, nenhum primeiro-ministro australiano conseguiu completar um mandato. Em 2010, Julia Gillard desbancou o então primeiro-ministro, Kevin Rudd, por conflitos internos no Partido Trabalhista que três anos depois serviram para Rudd devolver na mesma moeda e tirá-la do cargo.

Após ganhar as eleições em 2013, o liberal Tony Abbott também passou pelas turbulências das intrigas dentro da legenda. Em 2015, ele perdeu a liderança do partido para Malcolm Turnbull, que três anos depois renunciou devido a uma crise no governo e foi substituído por Scott Morrison.

Abbott, que está por trás da última revolta contra Turnbull, não descarta assumir novamente a liderança do Partido Liberal, embora nestas eleições corra o risco de perder a cadeira de parlamentar que ocupa desde 1994.

2.- Mudança climática e política energética.

A mudança climática e a política energética têm sido um calcanhar de Aquiles tanto dos governos do Partido Trabalhista como da coalizão Liberal-Nacional há mais de uma década.

O governo de Gillard foi fortemente criticado devido a um imposto sobre as emissões de dióxido de carbono (CO2), enquanto a coalizão conservadora é questionada por favorecer o uso do carvão para a geração de energia e argumentar que as energias renováveis aumentam o preço das tarifas de eletricidade.

O pleito coincide com um fortalecimento dos protestos populares, que exigem medidas contra a mudança climática e rechaça o projeto de uma mina de carvão perto da Grande Barreira de Coral, um Patrimônio da Humanidade situado no nordeste da Austrália.

3.- Uma economia que resistiu à crise.

A Austrália, que registra quase 30 anos de crescimento econômico ininterrupto, prevê uma leve melhora do PIB, que no ano passado cresceu 2,3%. A expectativa é que alcance 3% em 2021.

Embora o desemprego se mantenha estável em 5%, os trabalhadores enfrentam uma estagnação do aumento salarial e o alto custo de vida, principalmente de habitação, o que dificulta o aluguel para as pessoas de baixa renda e a compra para as famílias de classe média.

A coalizão propõe manter o crescimento econômico e reduzir os impostos, além de gerar mais empregos com projetos de mineração e o desenvolvimento dos estaleiros.

Já os trabalhistas apostam em oferecer melhores oportunidades aos trabalhadores com acesso gratuito a creches, investimento em hospitais e escolas, e aumento dos salários.

4.- O temor de imigrantes.

Com mais de 24 milhões de habitantes, concentrados principalmente na faixa litorânea do sudeste, a Austrália tem na imigração e no controle demográfico alguns dos principais assuntos de debate.

A chegada de estrangeiros, sobretudo nas cidades de Sydney e Melbourne, e a pressão sobre as infraestruturas levou o governo a reduzir a cota anual de imigrantes permanentes de 190 mil para 160 mil e a adotar medidas para promover a migração a cidades do interior e de zonas rurais.

As políticas de imigração, marcadas pelo envio de solicitantes de asilo a centros de detenção em Nauru e Papua Nova Guiné, no Oceano Pacífico, tiveram um ponto de inflexão após as reivindicações de médicos, políticos e parte da população para melhorar o tratamento dos imigrantes, o que resultou em uma lei para facilitar as transferências por razões médicas à Austrália.

O governo conservador defende o controle de fronteiras para evitar também a entrada de possíveis terroristas, mas suavizou o discurso após o ataque supremacista ocorrido na Nova Zelândia em março, cometido por um australiano que matou 51 pessoas.

5.- As alianças com os EUA e a relação de amor e ódio com a China.

A Austrália é um aliado histórico dos Estados Unidos, país com o qual mantém uma longa e sólida parceria militar, de segurança e inteligência, e com o qual atualmente participa de operações no Oriente Médio.

Além disso, a Austrália é vista como a força armada de Washington nesta região do Pacífico, marcada pelas disputas territoriais e a crescente influência chinesa.

A China é o principal parceiro comercial da Austrália, que é a principal fonte de recursos naturais do gigante asiático.

Ambos os países têm uma relação tensa pelas recentes leis contra a ingerência chinesa na política interna australiana e as suspeitas de Camberra sobre atividades de espionagem e ataques hackers.

Também são motivos de preocupação para a Austrália os investimentos chineses no país, a militarização do mar da China Meridional e a prisão de ativistas em território chinês.