EFEBuenos Aires

O índice de preços ao consumidor voltou a subir no último mês de março na Argentina, ao registrar um avanço de 4,7% a respeito de fevereiro, e chegou a 54,7% em termos anualizados, influenciado em grande medida pela abrupta desvalorização do peso no último ano.

Segundo o relatório mensal do Instituto Nacional de Estatística e Censos (Indec), divulgado nesta terça-feira, os preços acumularam no primeiro trimestre de 2019 um aumento de 11,8%.

Os bens tiveram em março uma variação positiva de 5% em comparação com o mês anterior, enquanto os serviços aumentaram 4,1%, em dados que ascendem a 59,2% e a 47,2%, respectivamente, na comparação com março de 2018.

O avanço mensal de março de 4,7% é o maior desde outubro do ano passado, quando os preços registraram um salto de 5,3%.

O transporte, com um aumento de 67,5%, e os alimentos, com 64%, são os dois setores com maiores altas em um ano, embora no acumulado do trimestre seja a educação o mais prejudicado, com um avanço de 20,6%.

A alta inflação registrada pela Argentina - em 2018 foi de 47,6%, o nível mais alto desde 1991, enquanto em 2017 foi de 24,8% - acontece em meio à recessão econômica iniciada no segundo trimestre de 2018, ano em que a atividade caiu 2,6%, um dos piores dados em anos.

Os problemas se originaram quando, no final de abril do ano passado, a moeda nacional começou a cair em relação ao dólar, principalmente pela fuga de capitais dos mercados emergentes aos Estados Unidos, em um contexto de altas nas taxas de juros nesse país.

A Argentina, que depende fortemente dos capitais externos, sofreu em grande medida essa saída de investidores, à qual se somou uma forte seca que prejudicou seriamente à produção agropecuária.

O peso se desvalorizou mais de 50% em um ano e, pelo impacto que isto teve em produtos que se consideram dolarizados, como a energia, influenciou na aceleração da inflação, que até o momento do desencadeamento da crise já vinha sendo um dos maiores problemas do governo de Mauricio Macri.