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O presidente do Peru, Martín Vizcarra, afirmou que o acordo de colaboração assinado na sexta-feira pelo governo e a Odebrecht era "uma necessidade", já que permitirá descobrir os casos de corrupção cometidos por autoridades do país nos últimos anos.

"Esse acordo era uma necessidade para se chegar ao fundo da verdade. As autoridades e toda a população do Peru querem saber a verdade a fundo", declarou Vizcarra neste sábado à agência oficial "Andina".

Durante uma visita de trabalho ao departamento de Moquegua, afetado por fortes chuvas e deslizamentos nos últimos dias, o governante reiterou o apoio ao acordo.

"Todos nós, peruanos, temos o direito de saber isso. E, para recuperar integridade e moral, temos o direito de punir os responsáveis", enfatizou.

Vizcarra acrescentou que para alcançar esse objetivo é preciso continuar com os interrogatórios e a coleta de provas sobre os atos de corrupção investigados no país.

"Esperamos que isto continue, dou todo o apoio, sem intromissão de poderes, respeitando as decisões do Ministério Público e do Poder Judiciário. Esperamos que continuem os interrogatórios e que se saiba a verdade de toda esta grande corrupção que houve no país", analisou.

Os promotores da equipe especial que investiga a operação Lava Jato no Peru, na qual estão envolvidos quatro ex-presidentes, assinaram nesta sexta-feira no Brasil um acordo de colaboração com a Odebrecht, que se comprometeu a entregar documentos e a pagar 610 milhões de sóis (R$ 670 milhões) em compensação.

Essa quantia deverá ser quitada ao longo de 15 anos e a empresa precisará pagar também os juros correspondentes ao valor estipulado, que podem chegar a 150 milhões de sóis (R$ 167 milhões).

O chefe da equipe especial do Ministério Público do Peru para o caso, Rafael Vela, afirmou no Brasil que a "bem-sucedida negociação" permitirá ao sistema de justiça peruana acessar informações muito valiosas sobre graves crimes cometidos.

Além de Vela, participaram do ato de assinatura do acordo o promotor José Domingo Pérez, os procuradores Jorge Ramírez e Silvana Carrión e representantes da Odebrecht, entre eles o ex-diretor da empresa no Peru, Jorge Barata.