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Os problemas na cadeia de abastecimento global podem durar "vários meses" devido a um desajuste entre oferta e demanda, assim como a escassez de contêineres, alertou nesta terça-feira a diretora-geral da Organização Mundial do Comércio (OMC), Ngozi Okonjo-Iweala.

Em entrevista publicada pelo jornal "Financial Times", Okonjo-Iweala frisou que o estímulo econômico injetado por muitos países para superar a paralisação causada pela pandemia de covid-19 contribuiu para um aumento da demanda por parte dos consumidores.

"Quando falo com empresários, há certo pânico sobre o impacto deste ano na cadeia de abastecimento", disse a diretora-geral da OMC, ao sublinhar que as companhias de navegação não tinham antecipado a força da recuperação econômica pós-pandemia.

"Reduziram a disponibilidade de contêineres e os armazenaram (durante a pandemia) nos locais errados, por isso agora não há contêineres suficientes", explicou.

Okonjo-Iweala advertiu que as diferenças nas taxas de vacinação entre países criaram uma recuperação global "em dois níveis", exacerbando as fricções nos fluxos comerciais globais.

Os países ricos "vacinaram mais de 50% da sua população e implementaram milhões de dólares de estímulo fiscal, motivo pelo qual estão em um melhor caminho para a recuperação do que os países mais pobres", analisou.

A chefe da OMC se mostrou otimista em relação a uma eventual guerra comercial entre Estados Unidos e China, o que poderia atingir o crescimento global.

"Ouvindo a retórica de ambos os países, percebe-se uma falta de envolvimento, mas as provas que vemos sobre o comércio não sustentam essa teoria", argumentou.

Ela também acredita que mesmo que as grandes potências mundiais tentem reduzir a sua dependência comercial mútua, encontrariam dificuldades.

"Não é tão fácil assim desmantelar cadeias de abastecimento, em muitos produtos são elas enormemente complexas", declarou. EFE