EFESão Paulo

O Santander Brasil espera que o ritmo de crescimento de sua carteira de crédito permaneça em dois dígitos ao longo deste ano, em linha com o aumento de 12,2% no primeiro trimestre em comparação com o mesmo período de 2020, apesar da pandemia do novo coronavírus.

A expectativa foi explicada nesta quarta-feira pelo presidente do Santander Brasil, Sergio Rial, em uma teleconferência com jornalistas por ocasião da divulgação dos resultados trimestrais do banco.

"Podemos até mesmo alcançar um crescimento de dois dígitos no crédito, como já demonstramos neste trimestre. Há uma grande possibilidade de que o crédito permaneça neste ritmo de dois dígitos (em 2021)", disse Rial.

O Santander Brasil registrou um lucro líquido, excluindo efeitos extraordinários, de R$ 4,012 bilhões no primeiro trimestre deste ano, 4,1% acima do mesmo período em 2020.

"O resultado mostra um crescimento significativo na margem financeira e índices de capital altamente adequados, com um ROE (retorno sobre o patrimônio líquido) sólido", afirmou.

Tudo isso apesar da incerteza econômica que envolve o Brasil devido às tensões políticas e à alta incidência da pandemia.

O executivo também indicou que, com base nas variáveis do momento atual, ele não vê razão para uma "deterioração significativa" no custo de crédito do Santander Brasil, embora o banco mantenha as provisões extraordinárias que fez em 2020.

"Sempre pode haver uma deterioração em algum segmento, mas como um todo, eu o vejo (custo do crédito) como neutro a marginalmente positivo", declarou.

Por sua vez, o diretor financeiro (CFO) do Santander Brasil, Ángel Santodomingo, disse que o banco "está mantendo níveis de qualidade de crédito muito bons".

Rial também salientou que, à medida que a campanha de vacinação contra a covid-19 avança no país, o contexto macroeconômico melhorará, com a possibilidade até mesmo de haver um "boom" no consumo no último período deste 2021.

"Dada a contenção da atividade e das economias em si, não é impossível prever um 'boom' no consumo em um determinado momento, como já vimos em alguns países e mais especificamente na China e nos Estados Unidos", afirmou.

Neste sentido, ele observou que "a recuperação da confiança na economia" está "diretamente" relacionada à capacidade de avançar na imunização dos 212 milhões de brasileiros.

Até o momento, cerca de 15% da população recebeu a primeira das duas doses e apenas 7% receberam o curso completo.

Para ele, se o Brasil conseguir atingir o terceiro trimestre deste ano com mais de 50% de sua população vacinada, o país terá um quarto trimestre "bastante forte" do ponto de vista econômico e "talvez até melhor do que no período pré-pandemia".