EFEWashington

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, e três dos seus filhos apresentaram processos nesta segunda-feira contra dois bancos, o alemão Deutsche Bank e o americano Capital One, para impedir que entreguem informação sobre suas finanças ao Congresso, segundo a denúncia à qual a Agência Efe teve acesso nesta terça-feira.

O documento judicial foi apresentado na última hora de ontem na corte do distrito sul de Nova York e representa uma nova tentativa de Trump para frear a investigação empreendida pela oposição democrata, que tem maioria na Câmara dos Representantes.

Concretamente, Trump, três dos seus filhos - Donald Jr., Ivanka e Eric - e sua empresa, a Trump Organization, pediram a um juiz que impeça que os dois bancos repassem informação a dois comitês da Câmara sobre suas finanças, algo a que estão obrigados porque a solicitação foi efetuada por meio de um requerimento judicial.

No processo, os advogados de Trump consideram que esses requerimentos não têm "nenhuma legitimidade nem fim legítimo" e foram emitidos pelos democratas com um objetivo político.

"Essas citações foram emitidas para fustigar o presidente Donald Trump, para revirar todos os aspectos das suas finanças pessoais, seus negócios e a informação privada do presidente e sua família, e para buscar qualquer material que possa ser usado para causar um prejuízo político", afirma o processo.

Os advogados também acusam os democratas de terem feito esses requerimentos com a esperança de "tropeçar em algo que possam expor publicamente e usar como uma ferramenta política contra o presidente".

Em comunicado conjunto, os democratas Maxine Waters e Adam Schiff, que presidem os comitês que pediram os dados aos bancos, consideram que Trump tenta com esses processos "evitar responsabilidades" e "obstruir" o Congresso.

Os democratas pediram informação financeira sobre Trump ao Deutsche Bank e ao Capital One para investigar "acusações sobre uma possível influência estrangeira no processo político dos EUA", disse Schiff, presidente do Comitê de Inteligência da Câmara, quando fez os requerimentos.

Especificamente, Schiff quer averiguar se agentes russos lavaram dinheiro através do conglomerado da Trump Organization.

Durante anos, o Deutsche Bank fez empréstimos no valor de milhões de dólares a Trump para negócios imobiliários.

Em comunicado, uma porta-voz da entidade alemã, Kerrie McHugh, afirmou que "seguimos comprometidos para proporcionar informação adequada a todas as investigações que foram autorizadas e cumpriremos com as ordens judiciais relativas a tais investigações".

Já o Capital One, que o presidente também usou para investimentos, ainda não se posicionou sobre o assunto.

O novo impulso para investigar o presidente dentro da Câmara dos Representantes acontece depois que o promotor especial Robert Mueller concluiu em sua investigação que Trump não se coordenou com o Kremlin para influenciar as eleições presidenciais de 2016.

Mueller, no entanto, não chegou a uma conclusão sobre se o presidente tinha tentado obstruir a investigação.